Alunos do primeiro ano do ensino médio do colégio Paulo Bauer, no bairro São João, em Itajaí, foram agredidos dentro da escola na manhã de segunda-feira. Segundo pais que denunciaram o caso ao DIARINHO, os adolescentes, de 15 anos, vestiam camisas vermelhas — um deles usava uma camiseta do Flamengo — quando foram atacados por outros alunos.

Os agressores, conforme os relatos, teriam cerca de 16 anos, vestiam roupas verde-amarelas, principalmente da seleção brasileira, e circulavam pela escola com bandeiras presas a pedaços de pau. Vídeos das agressões começaram a circular pelas redes sociais.

Segundo a denúncia, a mãe de um dos adolescentes procurou a escola na tarde de segunda-feira para relatar o caso. Outro pai também teria procurado a unidade para denunciar ameaças contra a filha.

“Foi feito um paredão de adolescentes, tudo vestido de verde e amarelo, segurando um pau e batiam neles. Pelo que eu entendi, foi uma barbárie”, relatou uma das mães. Segundo ela, os agressores ainda gritavam para os estudantes: “Seus pobres, vão ganhar Bolsa Família”.

Outros relatos encaminhados ao DIARINHO reforçam as denúncias de ameaças e intimidação dentro da escola na segunda. Em uma das mensagens, uma pessoa afirma que funcionários teriam orientado alunos vestidos de vermelho a esconder as roupas.

“Porque tinha até pessoal da secretaria pedindo pros alunos que estavam de vermelho colocar casaco, enquanto pessoas com blusa da seleção não”, critica a mensagem.

Outro estudante afirmou ter acompanhado o comportamento do grupo durante o recreio. Segundo ele, alunos vestidos de vermelho eram ameaçados e xingados.

“Eu estudo no Paulo Bauer, não tava na hora da briga, mas vi tudo o que aqueles meninos estavam fazendo na hora do recreio. Foi horrível, eles ameaçavam mesmo, passando e xingando qualquer pessoa que estivesse de vermelho ou até mesmo que olhasse feio pra eles”, relatou.

Outro estudante também afirma que o grupo pegava pedaços de madeira e simulava agressões. “Pegavam umas madeiras que têm no canto da escola e ficavam fazendo como se fossem bater mesmo”, denunciou.

Ainda segundo outro denunciante, professores tentaram intervir na situação e também teriam sido alvo de ofensas. “Os professores brigavam com eles e eles xingavam os professores”, afirmou.

Os dois adolescentes atacados fisicamente buscaram abrigo dentro de uma sala e depois foram encaminhados à direção. “A escola, em vez de chamar os agressores, levou os dois meninos para a direção”, contou.

Uma das mães informou que pretende registrar boletim de ocorrência na Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso de Itajaí. Ela também pretende procurar o ministério Público e registrar uma manifestação junto à área responsável pela rede estadual de ensino.

“Vou fazer uma representação no ministério Público e abrir uma ouvidoria, porque a escola permitiu que entrassem e circulassem com pau na mão, sem fazer nada”, criticou.

A secretaria de Estado da Educação informou que “não compactua com qualquer forma de violência dentro ou fora do ambiente escolar” e que adotou as medidas cabíveis assim que tomou conhecimento do caso registrado na escola.

Segundo a pasta, por meio da Coordenadoria Regional de Educação (CRE) de Itajaí, as equipes do Núcleo de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às Violências na Escola (Nepre) foram acionadas e os pais e responsáveis pelos estudantes foram comunicados. A secretaria informou ainda que ações de conscientização estão sendo realizadas na unidade escolar.

Um profissional da área de marketing digital foi agredido na orla de Balneário Piçarras, e denuncia ter sido vítima de homofobia. Ele levou golpes e sofreu arranhões no rosto após ser atacado por uma mulher desconhecida na avenida José Temístocles de Macedo, a beira-mar, por volta das 22h de segunda-feira, na praia central, onde estava acompanhado de um amigo.

“Nós jantamos em Balneário Piçarras, deixamos o restaurante e fomos para a praia. Quando estávamos saindo, eu fui pegar o meu carro, essa mulher surgiu do nada, com insultos homofóbicos. Me chamou de viado de bosta, veio para cima e me agrediu no rosto”, contou o comunicador, que pediu para não ser identificado. “Ela ainda perguntou por que eu estava ‘agarrado na praia’ e questionou o que os filhos iriam pensar se vissem a cena. Estávamos apenas juntos e ele inclusive saiu antes de mim, não viu a cena da agressão. Eu fiquei paralisado”, relatou.

Segundo o profissional, duas jovens presenciaram a violência e conseguiram intervir. “Duas moças testemunharam a cena, vieram em minha direção, e intervieram. Ela já estava me agredindo quando as moças puxaram”, reforçou.

A vítima pretende registrar um BO e solicitar imagens de câmeras de segurança da região. Também fará exame de corpo de delito. Além da homofobia, o comunicador acredita que a agressão possa ter motivação política.

Segundo ele, a mulher tinha adesivos de Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à presidência da República, no carro. “Eu nunca imaginei passar por isso. Além do ataque homofóbico, há a questão política”, reforçou.

Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"