00:00 A+ A- Ler o resumo da notícia Em gravação feita em Itajaí, a deputada Ana Campagnolo se recusou a pedir voto para Carlos Bolsonaro, saindo da frente da câmera. O vídeo, divulgado nas redes sociais, mostra Campagnolo ao lado da deputada Carol De Toni e do vice‑prefeito Rubens Angioletti, que solicitava apoio ao grupo. A atitude evidencia a divisão interna do PL de Santa Catarina, onde Campagnolo tem se manifestado contra a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado, defendendo candidatos locais. A recusa ocorreu poucos dias após nova escalada de crise entre lideranças bolsonaristas do estado, depois que Campagnolo atacou o senador Jorge Seif, aliado de Bolsonaro. A deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) se recusou a pedir voto para Carlos Bolsonaro (PL) durante a gravação de um vídeo em Itajaí, no litoral de Santa Catarina. Nas imagens, que circulam nas redes sociais e foram reproduzidas pelo perfil Pesquisas Eleições no X, a parlamentar deixa o enquadramento justamente quando o nome do filho de Jair Bolsonaro é citado como candidato ao Senado.

Campagnolo aparece ao lado da deputada federal Carol De Toni (PL-SC) e do vice-prefeito de Itajaí, Rubens Angioletti (PL). Angioletti conduz a gravação e pede apoio às candidaturas do grupo. Quando chega à disputa pelo Senado e menciona Carol De Toni, Campagnolo permanece na cena. Na sequência, ao começar a citar Carlos Bolsonaro, ela gesticula e sai da frente da câmera.

O episódio transforma em imagem uma divisão que há meses atravessa o PL de Santa Catarina. Campagnolo foi uma das vozes mais abertas contra a entrada de Carlos Bolsonaro na disputa pelo Senado no estado e defendeu que as vagas fossem ocupadas por nomes ligados à política catarinense.

A recusa registrada no vídeo ocorre após uma nova escalada na crise entre lideranças bolsonaristas de Santa Catarina. Campagnolo voltou a atacar o senador Jorge Seif (PL-SC), aliado de Carlos Bolsonaro, e reacendeu uma disputa que acompanha o projeto eleitoral do filho do ex-presidente desde 2025.

A Fórum mostrou o bate-boca entre Campagnolo e Seif. O senador reagiu às críticas da deputada em meio à disputa interna provocada pela candidatura de Carlos em Santa Catarina.

O embate vem de antes. Em novembro de 2025, a Fórum mostrou como a candidatura de Carlos Bolsonaro abriu uma crise no PL catarinense. Campagnolo contestou a articulação que levava o então vereador do Rio de Janeiro para disputar uma cadeira no Senado por Santa Catarina e entrou em confronto público com integrantes da família Bolsonaro.

A resistência também esteve ligada à situação de Carol De Toni. A deputada federal já buscava espaço para concorrer ao Senado quando Carlos entrou na disputa, o que provocou uma longa guerra interna pela composição da chapa do partido.

Apesar das disputas, o PL oficializou em 1º de agosto Carlos Bolsonaro e Carol De Toni como seus candidatos ao Senado por Santa Catarina. A convenção ocorreu dentro do calendário eleitoral: segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), partidos e federações tiveram de 20 de julho a 5 de agosto para escolher oficialmente seus candidatos às Eleições 2026.

A definição partidária, porém, não encerrou as divergências. O vídeo de Itajaí evidencia que a homologação da chapa não significou adesão automática de Campagnolo à candidatura de Carlos. A deputada permanece próxima de Carol De Toni e participa normalmente da gravação enquanto a correligionária é mencionada, mas se retira quando chega a vez do filho de Jair Bolsonaro.

O gesto ganha peso justamente porque Campagnolo não é uma adversária externa ao bolsonarismo. Eleita na esteira da extrema direita e integrante do próprio PL, ela construiu parte de sua projeção nacional no mesmo campo político da família Bolsonaro. A disputa em Santa Catarina, portanto, ocorre dentro da base que o ex-presidente tenta manter sob seu comando.

A transferência do projeto eleitoral de Carlos Bolsonaro para Santa Catarina alterou uma disputa que já tinha nomes locais interessados nas duas vagas do Senado. Desde então, aliados passaram a se dividir entre a fidelidade à escolha feita pelo núcleo bolsonarista e a defesa de candidaturas construídas no estado.

Campagnolo assumiu publicamente a segunda posição. Jorge Seif, por outro lado, tornou-se um dos principais defensores de Carlos. Carol De Toni acabou confirmada na mesma chapa do filho do ex-presidente, mas segue politicamente próxima de Campagnolo.

Agora, a gravação de Itajaí oferece um registro direto da dificuldade do PL de transformar a chapa formal em unidade política. Quando o pedido de apoio chegou a Carlos Bolsonaro, Campagnolo preferiu sair de cena.