Dentro das opções precárias que tinha desde que ficou confinado a compor uma chapa pura para a eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) optou por uma minimização de danos ao escolher o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu nome para a vice.
Gaspar tende a ajudar a campanha em dois flancos do principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): denúncias de corrupção e a questão da segurança pública. Promotor público de carreira, Gaspar foi duas vezes secretário de Segurança de Alagoas. No Congresso, ganhou destaque como relator da CPMI do INSS, em que pediu o indiciamento do filho do presidente, Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O deputado não encontrou evidências sólidas para vincular Lulinha ao escândalo, mas deixou expostas as relações do filho do presidente com a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, com quem teria negociado uma fracassada parceria comercial para explorar cannabis medicinal.
O filho do presidente, contudo, entrou no radar do relator dos inquéritos sobre o INSS no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Hoje Lulinha é alvo de duas investigações específicas sobre tráfico de influência, relatadas pelo ministro. O novo candidato a vice e Mendonça mantiveram diálogo constante enquanto durou a CPMI.
Como a Faria Lima recebeu a chapa de Flávio Bolsonaro
Não há nada que seja tão ameaçador para a reeleição do presidente quanto o agravamento da situação jurídica e policial do filho. Caso os indícios de tráfico de influência contra Lulinha, já bastante exuberantes, se convertam em provas, é provável que o combate à corrupção se torne um dos eixos da campanha. O áudio de Flávio pedindo dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro comprometia o uso desta estratégia pelo candidato oposicionista. O reingresso de Lulinha no noticiário volta a validar este tipo de manobra.
Gaspar também evita carimbar a chapa de Flávio com uma marca 100% bolsonarista. O deputado alagoano é um recém-chegado ao PL. Sua entrada na política eleitoral deu-se pelo MDB, partido pelo qual quase se elegeu prefeito de Maceió em 2020, patrocinado pela família de Renan Calheiros, que é lulista. Elegeu-se deputado em 2022 pelo União Brasil.
O tom da chapa de Flávio seria outro se a escolha fosse pela deputada Júlia Zanatta (PL-SC) ou pela vereadora Priscila Costa, do Ceará, estas sim bolsonaristas com denominação de origem controlada e garantida. Pesa contra o parlamentar, obviamente, a acusação de estupro de vulnerável. Foi feita contra Gaspar pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) em abril, durante a CPMI, mas ainda não se converteu em investigação no STF. Sem provas por ora que a convalide, dificilmente se converterá em um elemento decisivo.
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