Mesmo sem experiência no setor industrial, Lucas recebeu uma oportunidade, passou por capacitação e foi contratado.
A entrada de Lucas Moretto Lavezzo na indústria de Santa Catarina ocorreu em 2019, como jovem aprendiz. Hoje, aos 24 anos, ele ocupa a função de analista de logística na mesma empresa que lhe deu a primeira oportunidade: o Grupo Vanelise.
A sede principal da indústria têxtil e de confecção de roupas fica na cidade de Nova Veneza, no sul de Santa Catarina. Na mesma região, estão instaladas as filiais de Siderópolis e Forquilhinha.
Fundada em 1987, a empresa trabalha com a fabricação de roupas para marcas nacionais, com especialização nos segmentos de jeans e tecido plano. Atualmente, são cerca de 670 colaboradores, entre eles profissionais que começaram a carreira como jovens aprendizes e encontraram na capacitação uma oportunidade para crescer profissionalmente.
O curso de costureiro industrial do vestuário, oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), foi o primeiro realizado por Lucas ao entrar na empresa como jovem aprendiz. A experiência despertou seu interesse pela área têxtil. “Eu tive uma visão mais ampla dos processos internos, de como funciona a costura, dos detalhes do acabamento e da fabricação das peças. Isso também me deu uma visão de como a indústria funciona”.
O interesse pela capacitação profissional abriu portas para Lucas chegar à função de analista de logística. Desde o fim do contrato como jovem aprendiz, ele passou por diferentes setores da indústria. Da expedição, foi para o planejamento e controle da produção e, hoje, atua no centro de distribuição, no setor de logística. O conhecimento adquirido durante a passagem por diferentes setores industriais contribuiu para sua trajetória. “Além do curso, a possibilidade de desenvolver diferentes funções foi importante para garantir meu crescimento dentro da empresa”, explica.
A experiência, somada ao interesse pela capacitação, está entre os fatores levados em consideração pela empresa na hora de promover movimentações internas e promoções. É o que explica Eduardo Destro, coordenador de logística do Grupo Vanelise. “A empresa oferece muitas oportunidades. Quando surge a necessidade de preencher um novo posto de trabalho, a primeira opção é buscar alguém internamente”.
O desenvolvimento de novos profissionais para o mercado de trabalho industrial é facilitado por parcerias entre empresas e instituições de ensino. O Grupo Vanelise e o SENAI mantêm parcerias constantes.
Atualmente, a empresa tem 27 jovens aprendizes. No ano que vem, uma nova turma, com 25 vagas, será aberta para os interessados em participar do curso de capacitação e atuar na empresa. “Uma das frentes em que o Senai atua com muita força é a aprendizagem industrial voltada ao jovem aprendiz. Nosso trabalho é qualificar e habilitar esse novo talento diante das necessidades e dos desafios que a indústria enfrenta. Nosso objetivo é promover melhorias na eficiência, na produtividade e na taxa de rotatividade da nossa indústria”, explica Daniel Pavan Becker, coordenador de educação profissional do SENAI Sul.
Além de desenvolver habilidades técnicas, a aprendizagem industrial permite que os jovens conheçam a rotina da profissão e tenham contato com diferentes possibilidades de carreira. Para as empresas, a iniciativa representa uma oportunidade de formar profissionais alinhados aos processos internos e às demandas do mercado.
Juliane Dalsasso, gerente de gente e gestão do Grupo Vanelise, destaca que a presença dos jovens contribui para renovar o ambiente de trabalho e estimular novas ideias. “Sempre houve a necessidade de termos jovens nas indústrias. Não apenas para cumprir a legislação ou atender a uma cobrança externa, mas também por uma necessidade interna. Os jovens são essenciais para trazer criatividade, energia e vitalidade ao ambiente de trabalho”.
Para atrair novos profissionais, o setor, além de apresentar oportunidades e oferecer capacitação, tem se dedicado a mostrar as transformações nos ambientes de trabalho. A incorporação de tecnologias e a modernização dos processos ampliaram as possibilidades de atuação e criaram novas demandas por profissionais qualificados.
O gerente de inovação e tecnologia do SENAI, Mauricio Cappra Pauletti, afirma que “A indústria é um local onde há tecnologia e que oferece ótimas condições para trabalhar. É muito diferente da indústria do passado, que tinha aquela imagem de um ambiente sujo e pesado. Hoje as indústrias são extremamente limpas e oferecem oportunidades de crescimento. É também um setor que paga um dos melhores salários entre os setores da economia brasileira”.
Nesse cenário, a capacitação se torna uma etapa importante para quem deseja ingressar no setor e construir uma trajetória profissional. Depois do primeiro contato com a atividade industrial, a qualificação e a experiência ajudam a ampliar as possibilidades de crescimento.
A história de Lucas é prova disso. De jovem aprendiz a analista de logística, ele passou por diferentes setores e conquistou novas responsabilidades. “As oportunidades existem. Então quem está começando no mercado de trabalho industrial como jovem aprendiz precisa de dedicação e ficar atento às vagas internas que surgem. E, para estar preparado para conquistar uma dessas vagas, é preciso se capacitar”, aconselha Lucas Lavezzo.



