Brusque tem um total de 16,3 mil Cadastros Nacionais da Pessoa Jurídica (CNPJs) ativos atualmente. Esse dado aponta que um a cada seis brusquenses possui CNPJ devidamente regularizado.

A prefeitura explica que, entre os fatores que explicam o fenômeno, está a facilidade de o cidadão oficializar sua atividade como Microempreendedor Individual (MEI) e a busca por prestadores de serviço.

Segundo dados da Secretaria da Fazenda, de 2021 até o dia 22 de julho de 2026 foram abertos 33.361 CNPJs, de todas as naturezas jurídicas. Uma delas chama a atenção da pasta para uma possível pejotização: o empresário individual.

Durante o período, houve o cadastro de 23.212 empresários individuais. O destaque vai para o aumento de 194% de 2021 para 2022, passando de 1.979 aberturas de CNPJs para 5.836.

Entre os fatores, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação, responsável por formular e executar políticas públicas voltadas ao fortalecimento da economia local, destaca os impactos da pandemia da Covid-19.

“É inegável o impacto da pandemia. Aliado a isso, o sonho do brasileiro é ser seu próprio patrão. Nós, aqui em Brusque, ainda temos mais um fator, que é o perfil sociocultural da cidade, que historicamente foi construída e desenvolvida por empreendedores e visionários”, diz a pasta.

Após 2022, o número de empresários individuais que iniciam negócios se manteve estável entre 3,2 mil e 4,4 mil. Até o fim de julho de 2026, Brusque registrou a abertura de 4.329 CNPJs de todas as categorias. Desse total, 3.253 são de empresários individuais, o que representa 75% de todos os novos registros no município.

Não perca nenhum acontecimento relevante na região

Outros tipos de negócios, como Sociedade Unipessoal de Advocacia, Empresa Individual Imobiliária e Empresa Individual de Responsabilidade Limitada, também são avaliados pela Fazenda como consequências da pejotização.

Entretanto, ao somar as aberturas de CNPJs dessas naturezas nos últimos seis anos, o número não chega a 100. Nesse cenário, a Fazenda afirma que há um crescimento muito maior de microempreendedores individuais do que o de grandes empresas.

Vale ressaltar que os dados referentes à abertura de CNPJs não representam a quantidade de cadastros atualmente ativos em Brusque, mas sim os que foram abertos ao longo dos anos. Parte deles posteriormente foi inativada, e daí se chega ao número atual de 16,3 mil cadastros ativos.

Um levantamento realizado pelo jornal O Município, com dados obtidos junto à Secretaria da Fazenda, aponta que o setor de serviços lidera a lista de cadastros, com 3.712 CNPJs. Na sequência estão a indústria (3.040) e o comércio (2.625). Já no setor da construção civil constam 1.783 cadastros e, no transporte e logística, 1.608.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação, a liderança do setor de serviços se deve, em grande parte, à capacidade da indústria de congregar prestação de serviços e empregos, que, consequentemente, geram renda e impulsionam o comércio.

Ao analisar os dados, a pasta afirma que existe um aumento das vendas on-line (e-commerce) e do ramo logístico, com transportes de pequenas cargas. Para a secretaria, essa é uma tendência estadual.

“No município, temos buscado fomentar, por meio do Plano de Desenvolvimento Econômico, atividades que têm potencial de crescimento na cidade, como inovação e tecnologia, turismo e construção civil”, diz.

Já para a Fazenda, o MEI se caracteriza como porta de entrada para a oficialização de negócios que se desenvolvem e melhoram o faturamento. Consequentemente, a receita municipal também é beneficiada.

“Em geral, municípios com vocação empreendedora têm economia aquecida, desemprego baixo, oportunidades crescentes e serviços públicos de qualidade. É um fator que colabora para a segurança pública exemplar e para a educação acima da média nacional”, analisa o diretor-geral Felipe Fabiani.

Para ele, o Microempreendedor Individual brusquense avança para Microempresa (ME) e Empresa de Pequeno Porte (EPP). “O empreendedor brusquense tem coragem para encarar os desafios que um negócio próprio traz consigo, como uma dinâmica multitarefas”, diz Fabiani.

Em relação aos serviços, o diretor-geral afirma que o brusquense percebeu a demanda do setor e ofertou os trabalhos, o que corrobora a liderança no ranking. Outra característica citada por Felipe é que o setor exige um capital inicial acessível, o que amplia o número de empreendedores na área.

Fabiani afirma que toda mercadoria acompanha serviços embarcados. Ele cita o exemplo de uma peça de roupa, que, para chegar até a loja, precisou que o tecido fosse tingido, depois desenhado, cortado e costurado para, enfim, ser transportado e divulgado.

“Com esse exemplo, percebe-se que uma peça de roupa, aparentemente uma única mercadoria, teve vários serviços embarcados, sejam eles contratados no âmbito da industrialização ou não”, explica.

Entre agora e não perca nenhuma notícia de Brusque e região.

A abertura de empresas tem relação com a arrecadação municipal de forma geral. Entretanto, Fabiani faz uma análise cautelosa desse vínculo. Ele diz que a arrecadação aumenta por fatores como ambiente de negócios favorável, desenvolvimento econômico local, legislações claras e abertura de novas empresas.

Porém, nenhum deles pode ser analisado separadamente. Em relação aos MEIs, a abertura de empresas dessa natureza traz, inicialmente, uma pequena participação na arrecadação, apesar do seu grande número.

Contudo, Felipe diz que o MEI tem papel fundamental porque é a porta de entrada para a regularização de um empresário que antes trabalhava informalmente.

“Percebe-se que os negócios se desenvolvem depois da formalização do MEI, e muitos MEIs transitam para o próximo nível do Simples Nacional, a microempresa. A partir daí, a arrecadação individual passa a ter maior participação na arrecadação municipal”, detalha.

"“É inegável o impacto da pandemia. Aliado a isso, o sonho do brasileiro é ser seu próprio patrão. Nós, aqui em Brusque, ainda temos mais um fator, que é o perfil sociocultural da cidade, que historicamente foi construída e desenvolvida por empreendedores e visionários”, diz a pasta."

"“Com esse exemplo, percebe-se que uma peça de roupa, aparentemente uma única mercadoria, teve vários serviços embarcados, sejam eles contratados no âmbito da industrialização ou não”, explica."