Na média nacional, 29% das famílias das capitais brasileiras iniciaram o ano com ao menos uma dívida em atraso. Embora o percentual tenha permanecido relativamente estável em relação ao levantamento anterior, a FecomercioSP avalia que algumas cidades já vivem um quadro considerado grave, especialmente em razão da crescente dependência do crédito no orçamento doméstico.
A pesquisa também aponta avanço do endividamento no país. O percentual de famílias com algum tipo de dívida subiu de 76% em 2024 para 80% em 2025. Segundo a entidade, o Brasil ganhou cerca de 1 milhão de novas famílias endividadas no período, passando de 11,98 milhões para 12,96 milhões de lares nessa condição.
Fortaleza, Vitória, Belo Horizonte e Rio de Janeiro aparecem entre as capitais mais pressionadas pelo endividamento. Em números absolutos, São Paulo concentra o maior contingente de famílias endividadas do país, com 2,87 milhões de lares nessa situação, seguida pelo Rio de Janeiro, com 2,09 milhões, e pelo Distrito Federal, com 779,7 mil.
Na outra ponta do ranking, João Pessoa registrou a menor taxa de inadimplência do Brasil, com 12% das famílias em atraso. Curitiba aparece em seguida, com 14%, enquanto Belém e Cuiabá registraram 16%. São Paulo teve índice de 20%.
Apesar de seguir como a capital menos inadimplente do país, João Pessoa também apresentou a maior alta proporcional do indicador nos últimos dois anos. A taxa saltou de 5% em 2023 para 12% em 2025, crescimento de 151%, segundo a FecomercioSP. Goiânia e Florianópolis também registraram altas relevantes no período.
No sentido oposto, Boa Vista apresentou redução de 26% no número de inadimplentes, enquanto Porto Alegre registrou queda de 22%, de acordo com o levantamento.
Na avaliação da entidade, o avanço simultâneo do endividamento e da inadimplência ocorre em um ambiente de juros elevados, inflação persistente e pressão crescente sobre a renda das famílias. A FecomercioSP também afirma que a expansão do crédito tem ocupado espaço cada vez mais central no orçamento doméstico, aumentando o risco de deterioração financeira nos próximos anos.
