Por que algumas cidades se recuperam mais rápido das crises do que outras?
Nem sempre é o tamanho da economia ou a presença de grandes empresas que faz a diferença. Muitas vezes, o que sustenta uma cidade em tempos difíceis é a capacidade de agir coletivamente.
No Oeste de Santa Catarina, por exemplo, pequenos produtores rurais que se organizaram coletivamente conseguiram ganhar escala, acessar tecnologia e chegar a mercados globais que, sozinhos, seriam inalcançáveis. Esse movimento não fortaleceu apenas os negócios individuais. Estruturou cadeias econômicas hiperlocais.
Vivemos, inclusive, um exemplo claro disso neste momento. Estamos na véspera de uma eleição, e há cidades e regiões se organizando para eleger representantes comprometidos com suas pautas. Quando esse movimento acontece de forma coordenada, a representação política deixa de ser dispersa e passa a refletir interesses coletivos na prática.
O que diferencia cidades cooperativas é menos a existência de uma instituição específica e mais a presença de uma cultura: a de resolver problemas em conjunto.
Talvez esteja aí um dos aprendizados mais importantes para quem pensa o futuro das cidades. Atrair investimentos é importante, mas fortalecer a capacidade de organização coletiva pode ser ainda mais estratégico.
Cidades e regiões que aprendem a cooperar constroem algo que não aparece imediatamente nos indicadores, mas é decisivo quando o cenário muda: confiança, articulação e capacidade de agir como comunidade. A cooperação é a capacidade humana que faz tudo isso acontecer.
