Confesso que sempre que pensava em destinos paradisíacos no Brasil, as praias do sul não estavam no meu horizonte. Até tinha vontade de conhecer a região, mas sequer tinha ouvido falar do município de Governador Celso Ramos, onde fica o Awasi Santa Catarina.

O hotel, que foi incorporado ao grupo Awasi em 2024, recebeu no início de outubro uma chave Michelin, que certifica a qualidade dos serviços oferecidos por lá.

Fui recebida no aeroporto de Florianópolis pelo Antônio, que se identificou como o meu guia durante a minha estadia no Awasi. Por quase duas horas, ele dirigiu até Governador Celso Ramos me contando sobre a história de Santa Catarina e da região em que o hotel fica localizado — eu, que amo passeios culturais, amei esse cuidado e atenção.

Quando fui direcionada para a vila que seria minha casa nos dias seguintes, entendi o conceito do selo Awasi: é, realmente, um refúgio na natureza. São 25 chalés privativos, com vista para o mar e metragens que variam entre 90 m2 e 300 m2. O que eu fiquei tinha, além de jacuzzi e lareira, sauna seca e piscina particular.

Desde novembro, o hotel opera sob o modelo fully-hosted. Na diária, estão inclusos os custos como estadia, refeições, bebidas, tratamentos e translado. Uma vez lá dentro, a função do hóspede é apenas estar presente, sem qualquer preocupação.

Como uma boa amante de café-da-manhã, estava curiosa para saber o que me esperava. Esqueça a ideia dos buffets com hora marcada, onde você é o responsável por servir a si mesmo. No Awasi, você come à vontade na hora que quiser e as opções são muitas. Mas tudo é servido na mesa, ao gosto do cliente e respeitando a sazonalidade dos alimentos.

Pode me ver um café coado, um copo de suco de laranja com cajá, frutas e charcutaria do dia, por favor?" Eu até tentei, mas não consegui dar conta de experimentar os ovos e toasts oferecidos pelo hotel. Tudo é uma delícia e muito bem servido.

A chancela Relais & Châteaux recebida pelo grupo não é à toa.

Aos sábados, o Awasi oferece um almoço diferente, chamado de grill. Em um espaço aberto e com música ao vivo, são servidos pratos feitos na brasa — como camarões tigre, black angus e polvo. Os acompanhamentos são legumes e farofa de castanha-do-Pará.

A grata surpresa foi a água: morna, transparente, sem ondas. Para quem, como eu, troca a espreguiçadeira por horas boiando no mar? É o paraíso.

Juntos, observamos fazendas de ostras e mariscos e a topografia local — em formato de ganchos, o que justifica o antigo nome do hotel. Eles me ensinaram sobre esse tipo de pesca, grande motor da economia local, e pude observar melhor as curiosidades já indicadas pelo guia no dia anterior, enquanto fazíamos o traslado de Floripa.

Por sorte, o Antônio levou caneleira, para eu estar protegida de possíveis cobras pelo caminho. Fiquei sabendo que o meu tênis não era o mais apropriado para aventuras, mas isso não me intimidou. Adentramos a mata, subimos pedras, pulamos galhos.

Fui com medo mesmo, pegamos até chuva, mas não me arrependi. As praias são paradisíacas e fazem jus ao nome da região: Costa Esmeralda. A água é de um verde que nenhuma câmera consegue registrar.

Para mim, foi uma viagem de primeiras vezes. Minha primeira vez no sul do Brasil, minha primeira vez comendo ostra, minha primeira vez fazendo trilha. E minha primeira vez em um spa.

Comecei bem: ali, os produtos usados são da Sisley. Quem conhece um mínimo sobre cosméticos sabe que a marca francesa é referência no que diz respeito à autocuidado.

No Mata, a experiência começou com uma atividade sinestésica no Ateliê de Alquimia. Junto da Rose, criei um óleo corporal bifásico para usar em casa, quando voltasse de viagem. Ela me apresentou diferentes óleos essenciais e explicou as funções terapêuticas de cada aroma. Finalizamos com uma sessão de reflexoterapia nos pés.

* A repórter viajou a convite do Awasi Santa Catarina

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