Engenheira química de 29 anos acompanhou a construção da JBS Biopower em Mafra e hoje lidera o laboratório da usina
Mafra, no norte de Santa Catarina, já foi conhecida apenas pelo seu papel de entroncamento logístico entre rodovias e ferrovia. Hoje, a cidade de pouco mais de 56 mil habitantes ganhou outro título: o de referência nacional na produção de biodiesel.
Isso porque ali está a JBS Biopower, uma usina com 76 mil metros quadrados e capacidade para produzir cerca de 370 milhões de litros por ano — um investimento que transformou a economia local e abriu portas para novas carreiras.
Karoline entrou na JBS como analista júnior e, em menos de dois anos, foi promovida à supervisão do laboratório. Hoje lidera 11 profissionais. “É desafiador, mas gratificante. Estou contribuindo para a formação deles e sei que por trás de cada colaborador também existem famílias que dependem desse trabalho”, afirma.
No laboratório, ela coordena as análises que asseguram a qualidade do biodiesel produzido na unidade. “Fazemos toda a parte de certificação do biocombustível. Avaliamos matérias-primas e etapas de cada processo para garantir um produto final de qualidade”, explica.
A trajetória de Karoline é reflexo de um movimento maior. A chamada Geração Z — formada por jovens nascidos entre meados dos anos 1990 e 2010 — já representa quase 40% dos colaboradores da JBS no Brasil. “Essa geração busca crescimento rápido, aprendizado e propósito. É um público que valoriza proximidade com as lideranças e oportunidades reais de desenvolvimento”, explica Luciane Martins Betim, diretora de Recursos Humanos da JBS Novos Negócios.
Karoline confirma: “A nossa geração cresceu junto com os avanços tecnológicos. Temos facilidade de adaptação, empatia e fome de crescimento. Queremos galgar objetivos pessoais e, ao mesmo tempo, contribuir com os da empresa”.
Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), a presença da Geração Z já é uma força significativa no mercado e o avanço dessa geração está diretamente ligado à modernização da indústria. Segundo Alex Kuhnen, gerente de Educação 4.0 do SENAI/SC, a presença dos jovens acelera esse processo.
“Eles já nasceram digitais e acabam sendo polinizadores de novas tecnologias dentro das fábricas. Essa curiosidade e abertura ajudam a disseminar inovação e a transformar a cultura industrial”, avalia.
Com a usina de biodiesel e histórias como a de Karoline, Mafra se reposiciona no mapa da indústria catarinense. O impacto é econômico, social e também geracional: jovens que encontram propósito e perspectiva de futuro na indústria.
Karoline resume com um conselho: “É importante identificar empresas em que os valores batem com os seus. Definir objetivos, estar preparado e, se for preciso, refazer os planos. Não tem problema. O importante é seguir crescendo”.
