00:00 A+ A- Ler o resumo da notícia PF investiga Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, por obstrução de investigações, lavagem de dinheiro e ocultação de valores. Durante operação da PF em Balneário Camboriú, uma mala de dinheiro foi jogada da janela de um prédio ligado a Antunes. Antunes é investigado por gestão de R$ 970 milhões da Rioprevidência em títulos de risco do Banco Master, com suspeitas de crimes financeiros. Capital do bolsonarismo, que elegeu Jair Renan Bolsonaro (PL) como vereador, a cidade de Balneário Camboriú viveu uma cena digna da clássica série Casa de Papel, quando uma mala de dinheiro voou pela janela de um prédio quando a Polícia Federal chegou para cumprir mandados de busca e apreensão da terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga desdobramentos das investigações sobre o Banco Master.
VEJA VÍDEO Caso Master: alvo da PF joga mala de dinheiro pela janela durante ação em Balneário Camboriú; vídeo
Ainda não foi divulgado o nome da pessoa que jogou a mala, mas a Polícia Federal informou que o alvo dos mandados de busca e apreensão é o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes.
Antunes foi preso no último dia 3 de fevereiro na segunda fase da operação, que investiga crimes contra o sistema financeiro envolvendo a gestão de recursos do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro.
Ele havia chegado pela manhã no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, alugou um carro e estava na Via Dutra em direção ao Rio quando foi interceptado por agentes da PRF.
Nesta quarta-feira (11), na terceira fase da operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão nos municípios de Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina, em endereços ligados a pessoas que em tese auxiliaram o ex-presidente do Rioprevidência na obstrução das investigações, ocultação de valores e lavagem de dinheiro.
A prisão dele, em 3 de fevereiro, se deu justamente por tentativa de obstrução da justiça e pelo desaparecimento de provas. Na ação em Santa Catarina, a PF tenta recuperar bens levados do apartamento principal de Antunes, que foi alvo da primeira fase da operação, em 23 de janeiro.
Deivis Marcon Antunes foi diretor-presidente do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência), autarquia responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.
Ele ocupou o cargo até janeiro de 2026, quando renunciou em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre aplicações financeiras feitas pela Rioprevidência em títulos de alto risco do Banco Master, que somaram cerca de R$ 970 milhões e são alvo de apuração por suposta gestão fraudulenta, desvio de recursos e outros crimes.
Sua nomeação e atuação no Rioprevidência estão vinculadas à gestão do governador Cláudio Castro (PL), e a situação acabou se tornando um foco político e jurídico: a exoneração e a investigação ocorreram em meio a críticas e questionamentos de órgãos de controle sobre decisões de investimento do fundo e o risco ao patrimônio dos servidores.
A proximidade institucional com o governo estadual e as repercussões decorrentes das operações financeiras tornaram o caso um ponto de atenção no debate sobre transparência e responsabilidade na administração pública fluminense.
Desde novembro do ano passado, a PF investiga a aplicação de R$ 970 milhões pela Rioprevidência em títulos do Banco Master (letras financeiras), nove aportes ocorridos entre novembro de 2023 e julho de 2024.
Dirigentes da Rioprevidência e do Banco Master podem ter cometidos “crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva”, descreve nota da Polícia Federal.
Antes da renúncia e exoneração de Deivis Marcon Antunes, a Rioprevidência negou irregularidades e garantiu que os pagamentos de aposentados e pensionistas pelo fundo único de pensão ocorre “normalmente”.
Na casa de Antunes, a PF apreendeu um veículo de luxo blindado, R$ 7 mil em espécie, um pen drive, relógio, e documentos para perícia.
Além de Antunes, a Polícia Federal também esteve nas residências do ex-diretor de Investimentos do Rioprevidência, Eucherio Lerner Rodrigues, e do ex-diretor interino de Investimentos, Pedro Pinheiro Guerra Leal, na primeira fase da operação.
Na residência de Rodrigues, a Polícia Federal apreendeu R$ 3,5 mil em espécie, um veículo de luxo, celular, notebooks, pen drive e HDs, além de documentos.



