Uma complicação durante o nascimento do segundo filho fez a nutricionista Luana Hodecker, de 37 anos, compreender, na prática, a importância da doação de sangue.

Diagnosticada durante a gestação com acretismo placentário, condição em que a placenta se fixa profundamente na parede do útero e aumenta o risco de hemorragias, ela precisou receber três bolsas de sangue para sobreviver após uma cesariana realizada há cinco anos.

Como a gravidez de Luana era de alto risco, a equipe médica planejou o parto com antecedência e solicitou ao Hemosc as bolsas de sangue necessárias para o procedimento. "Eu entrei na cirurgia com as três bolsas de sangue já comigo, com todo o cateter para transfusão. Foi o que me salvou", conta Luana.

Durante a cirurgia, Luana recebeu duas bolsas de sangue. Nos dois dias em que permaneceu internada na UTI, precisou de uma terceira transfusão após nova queda nos níveis sanguíneos.

"Eu cheguei ao choque hemorrágico. Toda a equipe médica e de enfermagem que estava na cirurgia fala que eu fui um milagre".

Para a nutricionista, a transfusão representou bem mais do que a própria sobrevivência. "Não foi uma vida que foi salva. Foi uma família".

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Na época, sua filha mais velha, Amanda, tinha 4 anos e o filho, Matheus, estava prestes a nascer. Segundo ela, o maior receio era não acompanhar o crescimento das crianças.

"Hoje, todos os dias, quando acordo, a primeira coisa que faço é agradecer por estar tendo a oportunidade de ver meus filhos crescerem".

O relato integra as ações do Junho Vermelho, campanha de conscientização que busca incentivar a doação voluntária e regular de sangue. A iniciativa chama a atenção para a necessidade de manter os estoques abastecidos, garantindo o atendimento a pacientes que necessitam de transfusões em situações de emergência, cirurgias, tratamentos e outras complicações de saúde.

Ao recordar aquele momento, ela destaca que a existência de doadores voluntários foi determinante para que o atendimento pudesse acontecer no momento em que houve necessidade. "A gente só tem noção da importância da doação quando precisa. Se não fossem essas pessoas voluntárias que doaram, eu não estaria aqui."

O filho Mateus, de cinco anos, também quis deixar uma mensagem. "Eu quero agradecer a todos que deram sangue para a minha mãe."

Para facilitar o acesso ao Hemosc, em Blumenau, a Secretaria de Saúde de Brusque oferece transporte gratuito aos moradores interessados em doar sangue. As viagens são realizadas, em regra, na segunda terça-feira de cada mês.

Em 2025, 79 pessoas participaram das caravanas organizadas pelo município. Neste ano, outras 63 já utilizaram o serviço.

A demanda por sangue é permanente e tende a aumentar em períodos de férias e feriados prolongados. Atualmente, os tipos sanguíneos com fator Rh negativo, especialmente o O negativo (O-), estão entre os que mais necessitam de reposição.