Um diagnóstico sobre “Habitação para o Desenvolvimento Econômico de Brusque” foi apresentado nesta quarta-feira, 22, pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico Local (Instituto DEL), a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) e a Prefeitura de Brusque.

A proposta foi discutir como o planejamento urbano e as políticas habitacionais podem impactar diretamente o crescimento econômico do município. O estudo apresentou dados sobre o crescimento populacional, o déficit habitacional, a expansão da construção civil e a necessidade de integração entre a oferta de moradias e as demandas do setor produtivo.

De acordo com o diagnóstico, Brusque poderá ultrapassar 260 mil habitantes até 2050. Atualmente, o município possui um déficit habitacional estimado em 4.660 moradias. Mantidas as condições atuais de oferta habitacional, esse número poderá chegar a até 7.815 domicílios em déficit nas próximas décadas.

O principal componente do déficit atual é o comprometimento excessivo da renda das famílias com o pagamento do aluguel, que representa 77,6% do total. Também fazem parte do levantamento situações de coabitação familiar, adensamento excessivo em imóveis alugados e condições precárias de moradia.

O estudo mostra ainda que Brusque praticamente quadruplicou sua população nas últimas cinco décadas. Em 1970, o município tinha cerca de 35,2 mil habitantes.

Entre 2017 e 2022, aproximadamente 14 mil pessoas migraram para a cidade, movimento que contribuiu para o crescimento econômico, mas também ampliou a pressão sobre a infraestrutura e a demanda por moradias.

A construção civil também aparece como um dos setores que acompanham o crescimento do município. Entre 2006 e 2025, o número de empresas do setor passou de 204 para 1.020, enquanto os empregos formais cresceram de 808 para 2.418. O município conta ainda com 1.899 microempreendedores individuais ligados à construção civil.

O diagnóstico também aponta que os investimentos em habitação podem gerar impactos em diferentes áreas da economia. Em uma simulação, um investimento de R$ 25 milhões na construção de 100 moradias poderia movimentar aproximadamente R$ 45 milhões na economia, considerando os efeitos diretos e indiretos. Dessa forma, cada R$ 1 investido em habitação poderia gerar cerca de R$ 1,80 em movimentação econômica.

Para o presidente do Instituto DEL, Alexsandro Bastos, o diagnóstico representa uma oportunidade de unir diferentes setores da sociedade na busca por soluções para o déficit habitacional.