Um evento de música eletrônica gratuito transformou o centro de Florianópolis em um cenário de caos e insegurança no último domingo. Realizado na cabeceira insular da Ponte Hercílio Luz, o espetáculo, que celebrava os 100 anos da estrutura e coincidia com o Ironman Brazil, provocou a paralisação do trânsito em diversas vias próximas. A situação gerou uma onda de reclamações generalizadas nas redes sociais e entre os moradores da região, que enfrentaram dificuldades para retornar às suas casas devido aos congestionamentos que se estenderam por horas. O som alto, desde as primeiras horas da tarde, também foi motivo de protesto.
A preocupação com a segurança foi intensificada pela superlotação do local. O vereador Ricardo Pastrana, que também atua como guarda municipal, utilizou suas redes sociais para destacar os riscos. Ele relatou que as passarelas da ponte ficaram superlotadas, com diversas pessoas passando mal. Mais grave ainda, segundo Pastrana, foi a presença de indivíduos, incluindo crianças e idosos, pulando para o vão central da ponte, expondo-se a sérios perigos. O vereador alertou para o risco de colapso estrutural caso uma grande concentração de pessoas no vão central começasse a pular ou dançar simultaneamente, devido à possibilidade de ressonância.
Diante da situação de risco, a Polícia Militar Rodoviária (PMRv) solicitou a paralisação do show por questões de segurança. Relatos indicaram que o esquema de segurança para o evento foi subestimado, contribuindo para o cenário de desorganização e perigo. A falta de um planejamento adequado para o fluxo de público e o controle das áreas de acesso foram apontados como fatores críticos para o desenrolar dos acontecimentos, que deixaram a população local e autoridades em alerta máximo.
Em um desdobramento distinto, mas igualmente relevante para a capital catarinense, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 26ª Promotoria de Justiça, instaurou um inquérito civil. O objetivo é investigar possíveis irregularidades relacionadas à criação e atuação do comitê gestor do Plano Diretor Municipal e do Comitê de Consolidação do Microzoneamento Oficial de Florianópolis. A apuração foca em pontos críticos como a ausência de participação popular na composição desses representantes, uma possível usurpação de competências de órgãos consultivos e a eventual extrapolação do poder regulamentar por meio de decretos municipais.
O inquérito busca esclarecer se ocorreram alterações em parâmetros urbanísticos e ambientais da cidade sem o devido amparo legal. A iniciativa do MPSC visa garantir a transparência e a legalidade nos processos de planejamento urbano e gestão territorial de Florianópolis, assegurando que as decisões que afetam o desenvolvimento da cidade estejam em conformidade com a legislação e contem com a devida participação da comunidade.
