Enquanto a população cobra redução das filas e maior agilidade no atendimento da saúde pública, um problema que impacta diretamente a organização da rede também chama a atenção da Secretaria Municipal de Saúde de São José: o número de pacientes que não comparecem às consultas previamente agendadas.
Somente em julho deste ano, 2.177 consultas com médicos da Atenção Primária foram perdidas por falta dos pacientes. Quando o cidadão agenda uma consulta e não comparece, sem realizar o cancelamento ou avisar previamente a unidade, aquele horário fica indisponível para outra pessoa que também aguarda atendimento.
O problema se repete em diferentes regiões do município. Entre as unidades com maior número de ausências em julho estão Campinas, com 163 faltas; Roçado, com 153; Forquilhinha, com 136; Goiabal e Ipiranga, com 135 cada; Luar, com 112; Barreiros, com 114; Bela Vista e Serraria, com 110 cada; Forquilhas, com 105; Areias, com 100; e Santo Saraiva, com 91 ausências.
Os números mostram que o absenteísmo não ocorre apenas nas unidades de maior porte. UBS como Goiabal e Santo Saraiva, por exemplo, registraram quantidade expressiva de faltas, superior à observada em algumas unidades maiores.
Na atenção especializada, o cenário também preocupa. Em julho, foram 627 ausências em consultas com médicos especialistas, com destaque para a Policlínica de Barreiros, que registrou 316 faltas, e o Ambulatório de Oftalmologia, com 206. Na odontologia, as unidades de Forquilhinha, com 50 faltas, Forquilhas, com 28, Campinas, com 27, e Bela Vista, com 23, concentraram os maiores registros.
Considerando também a atenção especializada, foram cerca de 300 faltas registradas em Barreiros no período. O impacto é ainda maior quando analisado em um período mais longo. No trimestre, 8.233 consultas médicas deixaram de ser realizadas em razão da ausência dos pacientes. Além de representar desperdício de vagas e de recursos públicos, as faltas contribuem para aumentar o tempo de espera de quem precisa de atendimento.
A secretária municipal de Saúde, Sinara Simioni, destaca que o compromisso com a saúde pública também passa pela responsabilidade do paciente com a consulta agendada. “Sabemos que a população reclama, com razão, das filas e do tempo de espera para conseguir uma consulta. Mas precisamos mostrar que, quando uma pessoa agenda e não comparece, essa vaga deixa de ser aproveitada por outro cidadão que está aguardando atendimento. Se a pessoa não puder comparecer, é fundamental que avise a unidade com antecedência, para que possamos disponibilizar o horário para outro paciente”.
Segundo a Secretaria de Saúde, a orientação é para que o usuário que não possa comparecer procure a unidade de saúde e comunique a impossibilidade de atendimento. O cancelamento ou aviso prévio permite que a equipe reorganize a agenda e faça o encaixe de outro paciente, contribuindo para reduzir o número de horários perdidos.
A gestão municipal reforça que a redução das filas depende de um esforço conjunto entre poder público, profissionais e usuários. Comparecer à consulta ou avisar previamente sobre a impossibilidade de comparecimento é uma atitude simples que ajuda a garantir que mais pessoas sejam atendidas.
