A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) manifestou-se veementemente contra a aprovação, pela Câmara Federal, do projeto que altera a jornada de trabalho no país. O texto, que propõe a redução de 44 para 40 horas semanais e o fim da escala 6x1, foi duramente criticado pela entidade industrial, que emitiu nota oficial classificando a decisão como “um equívoco que pode custar caro ao Brasil”. A proposta segue agora para apreciação do Senado Federal, onde a Fiesc espera uma análise mais aprofundada dos potenciais impactos.

Para a Fiesc, a implementação da nova jornada de trabalho impõe um aumento expressivo de custos às empresas, comprometendo diretamente a produtividade e reduzindo a competitividade do setor produtivo brasileiro. As preocupações são particularmente acentuadas em segmentos da indústria que são intensivos em mão de obra e que já enfrentam forte concorrência tanto no mercado nacional quanto internacional. A entidade prevê consequências econômicas severas, com projeções de perdas significativas para o mercado de trabalho.

As estimativas da Federação são alarmantes para Santa Catarina, indicando que a medida poderá resultar na extinção de 41,4 mil vagas de trabalho nos próximos dois anos no estado, sendo 19,1 mil somente na indústria. Além da perda de empregos, a Fiesc calcula um aumento de 11,4% nos custos do trabalho para o setor industrial catarinense, um percentual que pode inviabilizar a manutenção de muitas operações e investimentos.

Gilberto Seleme, presidente da Fiesc, enfatiza que a negociação coletiva é a ferramenta mais apropriada para discutir a redução da jornada e as mudanças na escala de trabalho. Segundo ele, essa abordagem permite considerar as particularidades de cada setor, equilibrando as necessidades de trabalhadores e empregadores de forma flexível e realista. Seleme critica a imposição legal de tais ajustes, que não levam em conta a diversidade da economia, e destaca que o prazo de adaptação previsto no projeto – com cortes em duas etapas (60 dias e 12 meses) – é inadequado e compromete o planejamento das empresas. O presidente reconheceu a postura dos deputados catarinenses que votaram contra a proposta, considerando-a “discutida de maneira açodada e embalada por interesses eleitorais”, e reafirmou a esperança de que o Senado reconsidere a medida, levando em conta seus reais impactos sociais e econômicos para o Brasil.