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7.set.2026 às 15h17 Atualizado: 7.set.2026 às 20h16 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte São Paulo O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, promoveu ato político de 7 de Setembro na avenida Paulista nesta segunda-feira (7) no qual fez uma série de críticas ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, associando o magistrado ao presidente Lula (PT).

"Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes", disse o presidenciável em discurso.

Para o candidato do PL, há um "consórcio" de Lula com o ministro e prometeu que, se eleito, vai trabalhar para "resgatar a credibilidade" do Supremo.

Bolsonaristas tentaram impulsionar o ato na última semana tendo como combustível as mensagens reveladas entre o ministro do Supremo e Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O próprio Flávio, porém, enfrenta desgastes na campanha por causa do caso Master. Em maio, foi revelado que ele pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, Jair Bolsonaro (PL). O episódio está sob investigação da Polícia Federal. O senador nega irregularidades e não apresentou documentos que comprovem o destino dos valores, diferentemente do que afirmou que faria.

No discurso desta segunda, Flávio não citou diretamente o Master nem Vorcaro. Afirmou que é preciso "proteger o STF de Moraes" e que o país vive "caos moral". "O Supremo não é Alexandre de Moraes", afirmou, seguindo uma estratégia de, desta vez, não atacar instituições, apesar de já ter criticado a corte.

Também disse que "vão tentar mais uma vez interferir nas eleições", sem especificar a quem se refere, e comparou essa situação com a facada sofrida pelo pai durante a campanha de 2018. Ainda chamou o 8 de Janeiro de "farsa". Em outras ocasiões, Flávio acusou Moraes diretamente de tentativa de interferência no pleito.

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De olho no eleitor não alinhado ao bolsonarismo, nem ao petismo, Flávio e seus aliados imprimiram ao evento a tônica de que não querem ameaçar o Supremo —mas protegê-lo, por meio da saída de Moraes.

No início de agosto, Flávio já havia defendido o impeachment de ministros do STF que, segundo ele, cometeram crime de responsabilidade, citando nominalmente, além de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Nesta segunda, apoiadores levaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, além de fotos de condenados do 8 de Janeiro, chamados de presos políticos. Houve ainda um boneco inflável do presidente americano, Donald Trump, segurando Lula com roupa de presidiário. Embaixo, liam-se os dizeres, em inglês: "Trump, liberte o Brasil" —em janeiro, o governo americano capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Antes do início do comício, um grupo de manifestantes de esquerda entrou em confronto com outro grupo que chegava para o ato da direita na esquina das alamedas Peixoto Gomide e Santos. "A PM e a GCM [Guarda Civil Metropolitana] intervieram para conter as partes", informou a corporação em nota.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram o disparo de bombas de gás lacrimogêneo.

Bolsonaristas também se mobilizaram em defesa do ministro do Supremo André Mendonça, que é relator do caso Master e que na terça-feira (1º) retirou o sigilo do relatório da PF que mostrava diálogos entre Moraes e o ex-banqueiro. Em despacho no inquérito das fake news, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Cartazes dos presentes manifestavam apoio ao magistrado. O deputado Gustavo Gayer (PL-GO), candidato ao Senado, discursou e pediu aplausos dos presentes para o ministro do Supremo.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) gritou "fora, Moraes" e afirmou que, no próximo ano, Flávio Bolsonaro vai indicar quatro ministros do Supremo.

Ele mencionou o áudio revelado de uma conversa sua com Vorcaro, afirmando que nunca fez contrato com o ex-banqueiro e que Vorcaro nunca pediu que ele interferisse na atuação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.

"Se não, não me chamaria Nikolas Ferreira, me chamaria Alexandre de Moraes. E seu lugar, Xandão, é na cadeia", disse.

Nikolas criticou ainda o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Outro que discursou foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição. O governador disse que o Supremo precisa se unir para apurar o caso. "Uma resposta institucional é necessária".

Silas Malafaia fez uma fala dura contra Moraes, a quem chamou de "ditador". Segundo Malafaia, os indícios de que Moraes revisou o contrato de Vorcaro com o escritório de advocacia da mulher do ministro são "a prova da compra do poder e da influência desse ditador".

Malafaia afirmou que o objetivo com seu discurso não era pregar vingança nem descredibilizar o Supremo, e pediu que o ministro Edson Fachin, presidente do STF, afaste Moraes. "Precisamos de instituições fortes. Desgraçar o Supremo é arrebentar com a democracia e a República", disse.

Candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL) criticou Moraes e disse que "não existe Lula sem Alexandre". Já o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que tem sido cabo eleitoral de Flávio na capital paulista, afirmou que "supremo é o povo brasileiro".

Em um discurso breve, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal na gestão Bolsonaro, disse que Lula prometeu picanha e entregou pizza parcelada. Presidente do PL, Valdemar Costa Neto afirmou que "Bolsonaro vai ficar preso mais dez anos se Flávio não for eleito", puxando um coro de "volta, Bolsonaro".

O protesto virou plataforma de campanha —equipes do Republicanos, PL e PP distribuíam santinhos.

Levantamento realizado pelo Monitor do Debate Político do Cebrap e a ONG More in Common calculou que o público na Paulista foi de 28 mil pessoas. A medição foi feita às 16h32, momento de pico da manifestação, por meio de fotos tiradas por drones e sistemas de inteligência artificial.

As mesmas entidades calcularam público de 42,2 mil pessoas no ato do ano passado e de 45,4 mil em 2024.

A equipe de Flávio já previa um ato menor, considerando o frio na capital paulista. De acordo com a Defesa Civil, a temperatura máxima foi de 13°C, a tarde mais fria em São Paulo em setembro desde o ano 2000.

Também nesta segunda, Flávio estreou seu canal 24 horas, como antecipou a Folha. Ele participou de lives imediatamente antes e depois da manifestação. Após o ato, ele agradeceu à PM, mencionando que "esquerdopatas" foram à avenida Paulista mais cedo para "cometer crimes" e "tumultuar".

No mais recente Datafolha, divulgado na quinta-feira (3), Lula aparece com 38% das intenções de voto no primeiro turno, ante 33% de Flávio. Augusto Cury (Avante) subiu seis pontos e está em terceiro, com 8%.

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