A capital catarinense, Florianópolis, marcou seu 353º aniversário com o início das obras do aguardado Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte. A cerimônia de instalação da pedra fundamental, realizada na segunda-feira, 23 de março, no bolsão do trapiche da Beira-Mar Norte, representa o pontapé inicial de um dos maiores projetos de infraestrutura e lazer da cidade, que visa quase triplicar a área de uso público e revitalizar um importante trecho da orla. O empreendimento, totalmente custeado pela iniciativa privada, com um investimento de R$ 350 milhões da empresa JL Construções, conta com o acompanhamento e a fiscalização da Prefeitura de Florianópolis.

Nos próximos sete meses, uma etapa crucial da obra envolverá a deposição e o espalhamento de cerca de 50 mil metros cúbicos de material rochoso sobre o mar. Este aterro servirá como base para a expansão do parque, estendendo-se do trapiche da Beira-Mar Norte, na Praça Portugal, até o bolsão da Casan, na Praça Sesquicentenário. A base de pedra terá uma altura média de 4,5 metros, com o material sendo transportado por uma frota diária de aproximadamente 16 caminhões. Após o enroncamento, a fase seguinte incluirá a dragagem de areia do fundo do mar para a composição final do aterro, que transformará os atuais 49.963,64 metros quadrados em um vasto parque de 139.831,64 metros quadrados de área total.

O Parque Público e Marina Beira-Mar, resultado de uma concessão pública, abrangerá uma área total de quase 440 mil metros quadrados. A previsão é que o parque seja entregue à população em dois anos e meio, enquanto o complexo completo, incluindo a marina, tem um prazo de até cinco anos para ser concluído. O projeto foi concebido para suprir uma carência de infraestrutura pública de qualidade na região, que atualmente oferece poucas opções de convivência e prioriza o uso veicular, resultando em baixa permanência e uso restrito a atividades como caminhadas e exercícios físicos. Desde o início do aterro para a implantação da Avenida Beira-Mar Norte, nos anos 1960, essa região central não passou por uma transformação significativa.

Com o objetivo de criar novos pontos de convivência, fomentar a vida urbana e oferecer à população e turistas mais opções de lazer e contato com o mar, o complexo absorverá áreas hoje destinadas a veículos. A área seca do empreendimento será composta majoritariamente por espaços verdes, totalizando 48.146,06 metros quadrados, além de 25.468,40 metros quadrados para lazer e 19.433,85 metros quadrados de livre circulação. As edificações ocuparão 14.646,59 metros quadrados, projetadas para receber aproximadamente oito mil pessoas e comportar eventos de grande porte. O parque será dividido em três setores distintos, cada um com usos específicos para garantir atividades constantes e independentes. O primeiro setor terá foco em transporte público marítimo e lazer; o segundo será dedicado majoritariamente a esportes e playgrounds; e o terceiro concentrará gastronomia, lojas e ambientes de convívio, como praças e pet places. A marina, por sua vez, ocupará 300 mil metros quadrados e disporá de atracadouros para até 600 embarcações, com 30 vagas reservadas para uso público e pescadores artesanais.