Presente em decisões e projetos ao longo das décadas, a ACIF atua de forma direta no desenvolvimento da Capital
Da bucólica Desterro à metrópole que hoje se projeta para o país e para o mundo, Florianópolis construiu, ao longo do tempo, uma trajetória marcada por transformações profundas. A cidade que um dia tinha um ritmo mais lento, ligado à pesca e às tradições locais, passou a incorporar inovação, empreendedorismo e novas dinâmicas, sem perder a relação com o mar e com a qualidade de vida que segue como marcas da Capital.
Esse crescimento não ocorreu por acaso. Foi impulsionado por escolhas, decisões e iniciativas que ajudaram a orientar o desenvolvimento da cidade, acompanhando a chegada de novos moradores, empresas e oportunidades. Florianópolis se expandiu, diversificou sua economia e passou a combinar natureza, tecnologia e ambiente favorável aos negócios.
A ACIF (Associação Empresarial de Florianópolis) faz parte dessa trajetória. Com presença histórica na Capital, a entidade vai além da representação empresarial e atua de forma direta em pautas que impactam o desenvolvimento urbano, a economia e o bem-estar.
Ao longo do tempo, essa participação esteve ligada a momentos importantes para o município — da contribuição para o novo Plano Diretor, aguardado há décadas, às discussões sobre mobilidade, segurança e organização dos espaços urbanos, acompanhando as diferentes fases de Florianópolis.
No Centro, por exemplo, a atuação da ACIF parte de um problema comum às grandes cidades: a perda de vitalidade dos espaços públicos. A partir desse diagnóstico, surgiram iniciativas voltadas à segurança, à circulação e à ocupação urbana.
Entre elas, a implantação da Rota Segura na Conselheiro Mafra e a proposta de qualificação da iluminação na rua Visconde de Ouro Preto. São intervenções pontuais, mas com impacto direto na percepção de segurança e no uso cotidiano desses espaços.
As ações também avançaram para soluções práticas de requalificação urbana. A cobertura da Travessa Ratcliff, por exemplo, reorganizou o fluxo de pedestres e fortaleceu o comércio local com uma intervenção simples e eficiente.
Apresentado nesta semana, o projeto Floripa Centro: Repensando os Espaços Públicos para as Pessoas, desenvolvido pelo escritório dinamarquês Gehl Architects em parceria com a ACIF, CDL e o LUA (Laboratório de Urbanismo e Arquitetura), reúne mais de 70 propostas para transformar a região central da Capital.
O estudo propõe uma reorganização mais ampla do Centro, com foco na caminhabilidade, na valorização da vida urbana e na criação de espaços mais acessíveis, seguros e conectados com o cotidiano das pessoas.
Entre os principais eixos está a criação de uma praça-jardim no entorno do Mercado Público, integrando a rua Francisco Tolentino a um espaço voltado à permanência, convivência e dinamização do comércio local.
Outro ponto central é a reconexão entre o Centro e a Beira-Mar Norte, com a proposta de transformar a orla em uma área contínua de convivência — ampliando o uso do espaço ao longo do dia e fortalecendo a relação da cidade com o mar.
Na rua Esteves Júnior, a proposta de implantação de uma zona escolar reorganiza o espaço urbano com prioridade para pedestres e crianças, trazendo mais segurança e qualidade para uma das áreas com maior circulação de estudantes na região central.
Mais do que intervenções isoladas, o projeto propõe uma mudança de lógica: pensar o Centro a partir da experiência das pessoas, combinando planejamento urbano, mobilidade e uso qualificado dos espaços públicos.
“Quando reunimos dados, especialistas e a experiência de quem vive o Centro todos os dias, conseguimos transformar o debate em proposta concreta”, afirma o presidente da ACIF, Célio Bernardi Júnior.
A proposta também prevê implementação gradual, com ações de curto prazo baseadas em urbanismo tático — permitindo testar soluções, ajustar intervenções e acelerar resultados.
A construção desse novo olhar não parte do zero.
Projetos como o Boulevard da Lagoa, na Lagoa da Conceição, já demonstram como a reorganização dos espaços pode valorizar o comércio local e ampliar a convivência em áreas de grande circulação.
No Sul da Ilha, a Rota das Ostras fortalece a economia local ao estruturar uma cadeia produtiva tradicional e dar visibilidade a pequenos negócios. Já no Norte, ações voltadas à governança e organização urbana acompanham o crescimento acelerado de bairros como Jurerê.
Com o novo estudo, a proposta ganha escala e método.
Ao integrar planejamento urbano, mobilidade e desenvolvimento econômico, a iniciativa reforça o papel das entidades empresariais na construção de soluções para a cidade — não apenas como agentes de representação, mas como articuladoras de projetos que ajudam a transformar o território.
Entre as iniciativas mais emblemáticas da ACIF está o Programa ReÓleo, criado em 1998 a partir de um problema concreto: o descarte irregular de óleo de cozinha, que provoca entupimentos no sistema de esgoto, especialmente na região da Lagoa da Conceição.
A solução foi transformar o impacto ambiental em oportunidade. O programa estruturou um modelo de coleta do óleo usado em restaurantes, comércios e residências, direcionando o material para reaproveitamento na produção de itens como sabão e outros produtos de limpeza ecológicos.
Ao longo dos anos, a iniciativa ganhou escala e reconhecimento. Florianópolis entrou duas vezes para o Guinness World Records com o programa: em 2012, como a cidade que mais reciclou óleo de cozinha no mundo, com mais de 18 mil litros arrecadados em um único mês; e, em 2015, ao superar a própria marca, com mais de 45 mil litros coletados no mesmo período.
Mais do que os números, o ReÓleo se consolidou como uma ação contínua de educação ambiental, envolvendo escolas, empresas e a comunidade na destinação correta de resíduos.
Com milhões de litros de óleo já retirados do meio ambiente, o programa se tornou referência nacional — e um exemplo de como soluções locais podem gerar impacto ambiental, social e urbano de grande escala.
“Quando a cidade avança, todos avançam juntos”
Para o presidente da ACIF, Célio Bernardi Júnior, o papel da entidade está diretamente ligado ao desenvolvimento de Florianópolis como um todo.
“A ACIF sempre esteve presente nos momentos importantes da cidade, participando das discussões e ajudando a construir soluções. Quando a cidade melhora, melhora para todos — para quem empreende e para quem vive aqui”, afirma.
Segundo ele, essa atuação parte de uma visão ampla e integrada.
“Nosso olhar é para Florianópolis como um todo. Cada região tem suas necessidades, e a gente busca contribuir com iniciativas que tragam mais segurança, melhor infraestrutura e qualidade de vida”, destaca.
Essa mesma lógica orienta também a articulação de novos projetos e conexões. Em maio, a entidade realiza o Conexa 2026, evento que reúne associações empresariais de diferentes regiões de Santa Catarina e de outros estados para discutir caminhos de desenvolvimento e inovação para as cidades.
“A ideia é ampliar esse diálogo, trocar experiências e construir soluções conjuntas. O desenvolvimento das cidades passa por essa conexão entre diferentes realidades e iniciativas”, completa.
Mais informações sobre o evento estão disponíveis em: https://materiais.acif.org.br/conexa-2026
Florianópolis continua mudando — em ritmo, em forma e nas suas prioridades.
Esse movimento acompanha o crescimento da cidade e reflete novas demandas, novos perfis e novas formas de viver o espaço urbano.
Uma transformação que não acontece sozinha: passa por quem participa, propõe e ajuda a construir, todos os dias, os caminhos da Capital.
"“Quando a cidade avança, todos avançam juntos”"
