Articulações políticas em Santa Catarina indicam um avanço significativo na formação de uma frente de esquerda para as próximas eleições estaduais. A movimentação visa construir uma chapa majoritária competitiva, que incluiria os partidos Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) — este federado com o PT — e Solidariedade. O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ainda avalia sua posição, apesar de já ter um pré-candidato ao governo anunciado.

Nesse cenário em construção, o ex-deputado Gelson Merísio, atualmente no Solidariedade e com possível migração para o PSB, é cotado para encabeçar a chapa como candidato ao governo. A ex-deputada federal Angela Albino seria a indicada para a vice-governadoria, formando uma dobradinha com histórico de atuações diversas no estado. Para as duas vagas no Senado, a frente projeta as candidaturas do ex-deputado federal Décio Lima (PT) e do ex-senador Dario Berger. Berger, atualmente no PSDB, é aguardado no PDT, movimento intensificado após a nomeação de seu irmão para a diretoria da Itaipu Binacional.

Os potenciais nomes dessa chapa possuem trajetórias políticas notáveis em Santa Catarina. Angela Albino, por exemplo, foi deputada federal e secretária de Desenvolvimento Social no governo Raimundo Colombo. Já Gelson Merísio, que foi o deputado estadual mais votado em sua coligação em 2014, concorreu ao governo em 2018 e chegou ao segundo turno. O ex-senador Dario Berger integrou a frente de esquerda em 2022, disputando o Senado, enquanto Décio Lima foi o candidato ao Executivo estadual. Ambos Merísio e Albino já estiveram em lados opostos em eleições passadas, como nas municipais de Florianópolis em 2012, o que demonstra a amplitude das convergências em busca de um objetivo comum.

A consolidação dessa composição representa um desafio e uma oportunidade para o campo progressista em Santa Catarina, um estado historicamente avesso à esquerda. A eleição de 2022 marcou um precedente, com a chegada de um candidato de esquerda ao segundo turno pela primeira vez, indicando uma ampliação do espaço político. O sucesso da frente dependerá da capacidade de harmonizar as diferentes trajetórias e ideologias dos envolvidos sob um discurso unificado e atraente ao eleitorado. As próximas semanas serão cruciais para a definição final das filiações partidárias e a oficialização da chapa.