O número de furtos de cabos de energia elétrica e de componentes da infraestrutura das rodovias federais em Santa Catarina cresceu quase 500% em apenas três anos. Dados da Arteris Litoral Sul mostram que as ocorrências passaram de 11 casos em 2022 para 63 em 2025, provocando prejuízos milionários, comprometendo sistemas de monitoramento e colocando em risco a segurança de milhares de motoristas que trafegam diariamente pela BR-101.

Segundo a concessionária, responsável pela administração do trecho entre Curitiba (PR) e Palhoça (SC), os furtos de cabos de energia, fibra óptica e equipamentos operacionais já causaram cerca de R$ 2,5 milhões em prejuízos nos últimos cinco anos.

O crescimento das ocorrências preocupa. Enquanto Santa Catarina registrou aumento de quase seis vezes no período, o Paraná também apresentou alta, passando de duas para oito ocorrências entre 2022 e 2025. Somados os dois estados, foram registrados 71 furtos somente em 2025. Em 2026, o problema continua em ritmo elevado: apenas no primeiro semestre já foram contabilizados 55 casos.

Os materiais furtados fazem parte da estrutura responsável pelo funcionamento das rodovias. Entre os equipamentos afetados estão cabos que alimentam sistemas de iluminação, câmeras de monitoramento, painéis eletrônicos de mensagens, equipamentos de comunicação e a rede de fibra óptica utilizada na transmissão de dados entre as bases operacionais.

Nos túneis da BR-101, os impactos são ainda mais graves. Além da iluminação, os criminosos comprometem sistemas de automação fundamentais para a segurança, como sensores, equipamentos de sonorização para situações de emergência, ventiladores responsáveis pela renovação do ar e sistemas de extração de fumaça. Dependendo da gravidade da ocorrência, a concessionária pode adotar restrições operacionais até que toda a estrutura seja restabelecida.

As passarelas para pedestres também figuram entre os alvos frequentes. Em diversos casos, a iluminação é restaurada e, poucos dias depois, novos furtos são registrados, obrigando equipes de manutenção a retornarem ao local e deixando novamente os usuários em situação de insegurança.

Além do elevado prejuízo financeiro, cada ocorrência exige o deslocamento de equipes especializadas para inspeção, reparo e substituição dos equipamentos, aumentando os custos operacionais e exigindo respostas rápidas para reduzir os impactos no tráfego.

Para combater esse tipo de crime, a Arteris Litoral Sul mantém monitoramento permanente por meio do Centro de Controle Operacional (CCO), realiza inspeções constantes ao longo das rodovias e reforçou medidas preventivas, como a instalação de concertinas em postes e outros pontos vulneráveis. Todos os furtos são comunicados às autoridades policiais por meio de boletins de ocorrência.

“O prejuízo vai muito além da reposição dos cabos. Esses equipamentos são essenciais para garantir o monitoramento, a comunicação e a operação segura das rodovias. Cada furto compromete a infraestrutura e exige uma resposta rápida para restabelecer as condições de segurança aos usuários”, afirma Marcelo Possamai, gerente de Operações da Arteris Litoral Sul.

A concessionária reforça que o furto e o vandalismo contra equipamentos instalados nas rodovias são crimes que afetam diretamente toda a sociedade, comprometendo a mobilidade e a segurança de milhares de pessoas que utilizam diariamente as rodovias federais de Santa Catarina.