O governo federal abriu investigação para apurar 45 casos de violência política em todo o território nacional, que já contabilizam 47 vítimas e dez mortes desde o último sábado (24). Santa Catarina está entre os cinco estados com maior incidência de registros, ao lado de Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Os incidentes reportados abrangem uma série de atos violentos, como atropelamentos intencionais, agressões físicas, disparos de arma de fogo, atentados, coação contra indígenas e casos de abuso e violência policial.
No estado catarinense, dois episódios em Florianópolis ganharam destaque. Um deles envolveu o atropelamento de um motociclista por uma viatura da Polícia Militar Rodoviária (PMRv). O outro caso registrado na capital foi o espancamento de um homem por seu primo, que é assessor de Jair Renan Bolsonaro (PL), após a vitória de Lula. Embora o governo federal não tenha detalhado se essas ocorrências específicas compõem o levantamento oficial, a Polícia Civil de Florianópolis investiga o assessor por suspeita de agressão, com participação de familiares e um amigo, resultando em ferimentos graves à vítima. A Justiça já concedeu medida protetiva à família do agredido.
Outras situações preocupantes foram relatadas em diferentes municípios catarinenses. Em Praia Grande, no Sul do estado, um servidor municipal foi desligado após elaborar uma lista de estabelecimentos e profissionais com incentivo a boicotes por supostos posicionamentos políticos. Relatos de listas semelhantes também surgiram em Criciúma. O governo federal afirmou que acompanhará as investigações, com a Polícia Federal atuando em crimes de competência federal e as corregedorias das polícias em casos de suspeita de violência policial.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, manifestou sua preocupação com o cenário, declarando: "Dez pessoas foram mortas no Brasil por suas convicções políticas. Isso não é normal. O que a gente espera é que isso acabe, esse clima de intolerância e violência política". O caso em Florianópolis, que envolve o assessor de Jair Renan Bolsonaro, está sendo investigado sob a suspeita de agressão após o resultado das eleições presidenciais, com a vítima sofrendo fraturas e lesões na cabeça. A Justiça concedeu medida protetiva à família.
Casos de violência política com motivações ideológicas foram registrados em outras partes do país. Em Três Pontas (MG), uma mulher que usava um adesivo de Flávio Bolsonaro foi agredida, assim como uma adolescente e uma pessoa que tentou intervir. Em Santos (SP), um engenheiro ambiental foi agredido por um grupo durante um evento em apoio ao presidente Lula, sendo investigado pela Polícia Civil como latrocínio após ter morte cerebral confirmada.



