O protocolo para a criação do Polo da Indústria da Defesa em Itajaí foi assinado entre a prefeitura, o Sebrae e a Fiesc, na abertura da SC Expo Defense, na quinta-feira passada. A assinatura do documento marca a união de entidades pra consolidar Itajaí como referência no setor de defesa, estimulada pela construção das fragatas da Marinha do Brasil.

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A proposta é incentivar ainda mais o desenvolvimento econômico, a inovação tecnológica e a atração de investimentos na cadeia produtiva da indústria de defesa. O protocolo reúne representantes do poder público, entidades empresariais e instituições do setor. Eles devem se articular para atrair novos negócios, estimular pesquisas e ampliar oportunidades pra chegada de novas empresas na região.

A localização estratégica de Itajaí, a estrutura logística e o potencial industrial do município são apontados como fatores importantes pra criação do novo polo, mas outras medidas são necessárias. “O protocolo de intenções vai resultar, futuramente, em um projeto de lei para que Itajaí possa fomentar a atividade de defesa”, adianta o procurador do município, Jean Carlos Gorges.

O apoio do município vai além de ter uma legislação específica, como explica o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Bonfanti. “Estamos montando uma infraestrutura do ponto de vista de área, e olhando também para aspectos de legislação para atrair e desenvolver as empresas locais para esse segmento”, informa.

Entre os desafios, está a preparação das empresas de Itajaí pra atender a cadeia produtiva de defesa, possibilitando que possam vender para o Ministério da Defesa e atrair novos investimentos. O prefeito de Itajaí, Robison Coelho (PL), destaca que a cidade já é protagonista no setor, mas tem potencial pra crescer muito mais. “Nós queremos avançar ainda mais, tornando-nos um polo industrial de defesa como referência no Brasil. Hoje é um acordo histórico para fomentar essa atividade. Nós temos a construção das fragatas, [mas] nós queremos ainda mais: fornecer para a indústria de defesa nacional e criar outras alternativas econômicas”, comenta.

A Base Industrial de Defesa é o conjunto de empresas, universidades, centros de pesquisa e órgãos do governo que trabalham juntos para desenvolver, fabricar e manter os equipamentos e tecnologias que as Forças Armadas precisam, com tecnologia de ponta, geração de empregos e desenvolvimento econômico.

Os produtos vão desde equipamentos como foguetes, aviões, navios, drones e radares até itens mais simples, como um alfinete. Segundo a Estratégia Nacional de Defesa 2025, cada R$ 1 investido no setor gera cerca de R$ 10 reais no PIB, e, para cada R$ 10 milhões aplicados em projetos de defesa, são gerados cerca de R$ 18,6 milhões em efeitos diretos e indiretos.

Em 2025, a base de defesa gerou R$ 211 milhões para Santa Catarina, o terceiro estado com melhor resultado. Itajaí representa um dos maiores polos desse mercado no estado, sendo berço do maior projeto de construção naval de defesa em curso no Brasil, o Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), tocado do estaleiro TKMS Brasil Sul, com investimentos de R$ 12 bilhões e geração de dois mil empregos diretos e mais seis mil indiretos na região.

A primeira fragata foi entregue pra Marinha em abril e outras três estão em produção. Segundo o governo federal, mais quatro navios serão encomendados pelo programa. “Além das fragatas, já há a projeção da construção de navios para a Petrobras, gerando mais de mil empregos diretos e mais de cinco mil indiretos. É a oportunidade da pequena indústria fornecer para as grandes empresas”, ressaltou o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme.

Na feira Expo Defense, 59 empresas e instituições manifestaram interesse em negociações para fornecer produtos e serviços às Forças Armadas. O evento rolou entre quinta e sexta-feira, na Fiesc, mostrando o potencial do setor no estado e das tecnologias de segurança e defesa no país.

João Batista; jornalista no DIARINHO, formado pela Faculdade Ielusc (Joinville), com atuação em midia impressa e jornalismo digital, focado em notícias locais e matérias especiais.