O vereador de Balneário Camboriú (SC) Jair Renan Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), anunciou oficialmente a pré-candidatura a deputado federal por Santa Catarina. A intenção já havia sido manifestada logo no início do mandato na cidade catarinense, onde foi eleito para seu primeiro cargo eletivo. Nas redes sociais, ele afirmou que o movimento é para cumprir a missão dada pelo pai de "continuar lutando pelos brasileiros". Em Balneário, Jair Renan é criticado por adversários pela baixa produtividade parlamentar e por discursos públicos no plenário voltados assuntos alheios ao dia a dia da cidade.
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"Cumprindo a missão que meu pai, Jair Messias Bolsonaro, me deu: continuar lutando pelos brasileiros e defender os valores que sempre nos uniram. Sou pré-candidato a deputado federal por Santa Catarina, com o compromisso de trabalhar por um estado mais forte e por um Brasil melhor", escreveu.
No comunicado, Jair Renan também afirmou que a campanha será feita ao lado do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República. O objetivo, segundo ele, é seguir "firmes na defesa de Deus, Pátria, Família e Liberdade".
"Essa caminhada é feita ao lado de cada patriota que acredita em um Brasil forte, livre e próspero", completou.
Eleito em 2024, Jair Renan conquistou pouco mais de 3 mil votos, sendo o vereador mais votado de Balneário. Ele se mudou para Santa Catarina para iniciar a vida política após ter a vida dividida entre Rio de Janeiro e Brasília.
A estratégia é a mesma adotada pelo irmão, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL). Ele deixou o mandato na Câmara do Rio de Janeiro para lançar sua pré-candidatura ao Senado por Santa Catarina, em uma articulação que alterou as alianças locais para a formação da chapa do PL e gerou críticas de prefeitos do partido e de siglas aliadas.
No plenário, Renan é considerado quieto, mas já acumula alguns desentendimentos. Logo no dia 1° de janeiro, ele usou o microfone para acusar o correligionário Kaká Fernandes de "traição". O motivo foi uma discordância na articulação do partido durante a eleição da Mesa Diretora da Câmara, que terminou com a vitória de Marcos Kurtz (Podemos), ligado a outro grupo político.
Depois, ele foi o único voto contrário ao projeto protocolado pelo vereador Eduardo Zanatta, do PT, para instituir o Dia da Democracia em homenagem ao ex-prefeito Higino Pio, morto pela ditadura militar em 1969. Primeiro mandatário da cidade, Pio foi sequestrado no exercício da função, mas somente neste ano sua família conseguiu obter o reconhecimento na certidão de óbito, que apontava suicídio.
Renan, por sua vez, disse não confiar na Comissão Nacional da Verdade, criada para investigar as violações dos militares, e argumentou que “para a maioria dos mais velhos, se você perguntar, foi a melhor época do Brasil”.
— A história da cidade não pode ser reescrita por quem não conhece — afirmou Zanatta durante a sessão, acompanhado por outros vereadores como Jade Martins (MDB), que apontou "devaneios ideológicos": — O senhor chegou agora nesta cidade. E eu lamento que a família do ex-prefeito tenha que se deparar, neste momento, com alguém que questiona uma luta de anos.
Em agosto de 2025, a troca de farpas foi com Kurtz, criticado por Renan devido à condução da Câmara e aos gastos com obras na Casa. Ele alegou ter sido chamado de "Xandão de BC" pelo filho do ex-presidente, em alusão ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
— O senhor não abre a boca, só fala fora de hora — rebateu Kurtz. — Já que gosta tanto de fazer comparações, eu acho que o senhor é parecido com o (deputado federal) Tiririca. Deveria botar lá: 'pior do que tá não fica'. Porque o senhor não fala, está aqui fazendo não sei o quê.
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Depois, o embate foi com a prefeita Juliana Pavan (PSD), que afirmou ao podcast “Cabeça de Político” que o vereador deveria buscar "mais capacitação" e “ler mais" os projetos em tramitação. As críticas ocorreram após ele ter sido o único voto contrário a um projeto enviado pelo Executivo para combater o furto de fios.
— Respeito o posicionamento dele, apesar de ele quase não se posicionar, e, quando se posiciona, eu não consigo entender o que ele fala — disse a prefeita sobre Renan, que a rebateu nas redes sociais: "analfabeta funcional", escreveu.
Em setembro de 2025, ele usou o espaço para “mandar um recado à esquerda” após a delegação brasileira abandonar o discurso do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Assembleia Geral da ONU. Com um cachecol de Israel, ele mostrou um QR Code com imagens "sem censura" das ações do grupo terrorista Hamas.
— O Hamas fez atrocidades com mulheres, crianças, idosos e civis indefesos. Sem perdão, piedade e humanidade. Quem ataca Israel, não defende a paz. Defende o terrorismo — frisou Renan.
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