São José conheceu, na terça-feira (11), um projeto que transforma o jiu-jitsu em ferramenta de inclusão, desenvolvimento e superação. O professor Felippi Samá, idealizador do Jiu-Jitsu Sem Limites, esteve na Arena Multiuso acompanhado do atleta João Felippi Zazulak Vieira da Silva, de 14 anos, para apresentar a iniciativa à Secretaria de Esporte e Lazer e buscar alternativas que permitam a continuidade das atividades.
Os dois foram recebidos pelo secretário adjunto de Esportes e Lazer, Luciano Heck. Durante o encontro, Felippi apresentou o trabalho desenvolvido pelo projeto, que oferece oportunidades para atletas com deficiência e utiliza o esporte para estimular autonomia, disciplina, convivência e competitividade.
A visita ocorre em um momento de desafio para a iniciativa. Por dificuldades financeiras, o projeto precisou deixar o espaço onde realizava os treinamentos e atualmente busca alternativas para manter as atividades. A conversa com a Secretaria teve como objetivo apresentar o trabalho e abrir diálogo sobre possíveis formas de apoio, sem representar, neste momento, compromisso previamente firmado pelo Município.
“Quando conhecemos uma história como essa, percebemos que o esporte vai muito além da competição. Ele cria oportunidades, fortalece vínculos e mostra para o atleta que ele pode ocupar espaços, enfrentar desafios e conquistar resultados. Nosso papel é ouvir, conhecer os projetos e buscar caminhos para que iniciativas que promovem inclusão possam continuar avançando”, destaca o secretário municipal de Esportes e Lazer, Claiton Ribeiro.
Entre as histórias apresentadas está a de João Felippi, atleta autista que vem construindo uma trajetória de destaque no jiu-jitsu. Aos 14 anos, ele já acumula experiências em competições e recentemente conquistou um resultado importante no Sul-Americano de Jiu-Jitsu.
A relação com as artes marciais começou como parte de sua rotina de atividades. Com o tempo, porém, o interesse pela modalidade se transformou em dedicação e treinamento. João passou a integrar uma turma convencional de jiu-jitsu e a vivenciar a rotina esportiva com disciplina e exigência.
Para o professor e pai, Felippi Samá, um dos pontos fundamentais foi reconhecer João como atleta, sem reduzir expectativas ou desafios por causa da deficiência.“O João não entrou no jiu-jitsu apenas para fazer uma atividade. Ele queria treinar, queria aprender e queria competir. A gente percebeu que ele tinha potencial e passou a tratá-lo como atleta. O esporte deu a ele disciplina, confiança e autonomia, mas também mostrou para todos nós que inclusão não significa diminuir a exigência. Significa oferecer oportunidade para que cada pessoa possa mostrar do que é capaz”, afirma Felippi.
O jovem atleta também falou sobre a importância do esporte em sua vida.
“Eu gosto muito de treinar e de competir. Quando estou no tatame, quero dar o meu melhor. Cada campeonato é uma oportunidade de aprender e melhorar”, conta João.
Para Luciano Heck, conhecer de perto a trajetória do projeto reforça a importância de olhar para o esporte como uma ferramenta de transformação social.
“Foi muito especial receber o Felippi e o João na Arena Multiuso. A história do João mostra que o esporte pode abrir portas e transformar vidas. Ele não está apenas praticando uma modalidade: está treinando, competindo e conquistando resultados. É uma história que merece ser conhecida e valorizada”, afirma o secretário adjunto.
A proposta do Jiu-Jitsu Sem Limites é justamente romper com a ideia de que pessoas com deficiência devem ter acesso apenas a atividades adaptadas sem perspectiva competitiva. No projeto, os atletas são estimulados a desenvolver suas capacidades e, quando têm interesse e condições, também a participar de competições.
“Quando falamos em inclusão pelo esporte, estamos falando em oportunidade. O atleta precisa ter espaço para desenvolver seu potencial, seja para praticar por qualidade de vida, seja para competir e buscar resultados. Histórias como a do João mostram que o investimento no esporte também é investimento em autonomia e cidadania”, reforça Claiton Ribeiro.
Além da apresentação do trabalho, o encontro também abriu espaço para discutir alternativas para que o Jiu-Jitsu Sem Limites possa encontrar um novo local e retomar sua rotina de treinamentos.
A Secretaria Municipal de Esporte e Lazer recebeu as informações sobre a iniciativa e seus desafios e mantém o diálogo aberto para avaliar possibilidades dentro das condições e dos critérios do Município.
Como símbolo da aproximação, Felippi entregou a Luciano Heck uma camiseta do projeto, com a identidade do Jiu-Jitsu Sem Limites, que tem como lema “Onde o tatame quebra barreiras”.
A ideia é que a peça seja posteriormente sorteada nas redes sociais do Time São José, ajudando também a ampliar a divulgação do projeto e da história dos atletas.
Para João, a caminhada continua. Entre treinos, campeonatos e novos desafios, o jovem atleta segue construindo sua trajetória dentro do tatame. Para o projeto, começa agora uma nova etapa na busca por condições que permitam manter esse trabalho.
Em São José, a história apresentada na Arena Multiuso mostra que inclusão e esporte de rendimento podem caminhar juntos e que, muitas vezes, uma oportunidade pode ser o primeiro passo para que um atleta descubra até onde é capaz de chegar.
