Maior cidade de SC incorporou 14,4 mil eleitores de outros Estados. O movimento Cada Voto Conta, liderado pela Associação Empresarial de Joinville, mobilizou os novos eleitores
Joinville chega ao dia 4 de outubro com mais do que um eleitorado maior. A cidade que concentra o maior colégio eleitoral de Santa Catarina incorporou, nos últimos dois anos, 18.335 eleitores que transferiram o domicílio eleitoral para o município.
Os dados foram obtidos, a pedido do blog, junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), e consideram o período entre novembro de 2024, após o encerramento do último pleito, e maio de 2026, quando terminou o prazo para alterações no cadastro eleitoral.
Do total, 14.470 transferências tiveram origem em outros Estados, enquanto 3.865 vieram de outros municípios catarinenses.
É uma mudança que ajuda a explicar a dimensão da mobilização feita em Joinville nos últimos meses. O movimento Cada Voto Conta, liderado pela Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), em conjunto com ACOMAC, AJORPEME, CDL e OAB Joinville, colocou entre suas prioridades justamente estimular moradores que vivem na cidade a transferirem o título e participarem das eleições pelo município. O resultado aparece agora nos números da Justiça Eleitoral.
A principal característica das transferências é a origem. Quase oito em cada dez novos títulos transferidos para Joinville vieram de fora de Santa Catarina. E não se trata de um fluxo concentrado em apenas um ou dois Estados.
O maior número veio do Pará, com 2.502 transferências, seguido pelo Paraná, com 2.308, São Paulo, com 1.949, Amazonas, com 1.283, e Rio Grande do Sul, com 1.033. Juntos, esses cinco Estados responderam por 9.075 transferências, o equivalente a quase 63% de todo o movimento vindo de fora de Santa Catarina.
A lista também registra eleitores transferidos de praticamente todas as regiões do país. Foram 654 da Bahia, 652 do Rio de Janeiro, 542 do Maranhão, 436 de Minas Gerais, 393 de Pernambuco, 302 do Ceará e 206 do Mato Grosso do Sul, entre outros.
Até mesmo o exterior aparece no levantamento: 95 eleitores transferiram o domicílio eleitoral para Joinville vindos de fora do país.
O retrato ajuda a dimensionar a transformação pela qual passou a cidade. Joinville não está apenas atraindo moradores. Parte dessas pessoas decidiu também levar para o município o seu voto.
O movimento dentro de Santa Catarina tem outra característica. A maior parte das transferências veio de cidades próximas de Joinville. Araquari lidera, com 338 transferências, seguida por São Francisco do Sul, com 321. Depois aparecem Florianópolis, com 221; Balneário Barra do Sul, com 174; Jaraguá do Sul, com 169; Barra Velha, com 155; e Blumenau, com 154.
Somente Araquari e São Francisco do Sul representam 659 transferências, quase 17% de todas as mudanças de domicílio eleitoral com origem em municípios catarinenses.
O levantamento inclui 128 registros de municípios ou agrupamentos de municípios de origem. Para preservar a privacidade dos eleitores, cidades com apenas um ou dois casos aparecem agrupadas na categoria “demais municípios”, conforme orientação relacionada à proteção de dados pessoais.
O eleitorado de Joinville passou de aproximadamente 425,5 mil eleitores para mais de 441 mil, um acréscimo superior a 16 mil pessoas na base eleitoral. O crescimento do eleitorado e o número de transferências não são exatamente a mesma coisa. O primeiro representa a variação da base total; o segundo contabiliza mudanças de domicílio eleitoral. Ainda assim, os dois números ajudam a contar a mesma história: Joinville chega à eleição de 2026 com um peso eleitoral maior do que tinha antes da mobilização. E é justamente nesse ponto que entra o Cada Voto Conta.
Criado por entidades empresariais e da sociedade civil organizada, o movimento nasceu com o diagnóstico de que o tamanho econômico e populacional de Joinville não vinha se convertendo na mesma proporção em participação eleitoral e representação política.
A estratégia passou por três frentes: regularização dos títulos, estímulo à transferência do domicílio eleitoral e conscientização sobre a importância do comparecimento às urnas.
A primeira etapa produziu um resultado mensurável: milhares de pessoas que vivem em Joinville passaram a estar oficialmente vinculadas ao eleitorado da cidade.
Mas o número de títulos transferidos é apenas metade da equação. Nas eleições municipais de 2024, Joinville registrou mais de 107 mil abstenções, segundo dados utilizados pelo movimento. O desafio, portanto, é fazer com que o eleitor que regularizou ou transferiu o título efetivamente compareça às urnas.
É aí que a eleição de 4 de outubro poderá mostrar se a mudança no cadastro eleitoral representa também uma mudança no comportamento político da cidade. Há, de qualquer forma, uma diferença importante em relação ao cenário anterior.
Joinville chega à eleição com 18.335 eleitores que escolheram formalmente a cidade como seu domicílio eleitoral. A maioria veio de outros Estados. Outros milhares vieram de municípios catarinenses, principalmente da própria região Norte.
É um eleitorado que carrega histórias, origens e referências diferentes, mas que, a partir desta eleição, passa a participar diretamente das decisões políticas de Joinville. A cidade que durante anos discutiu como transformar seu peso econômico em maior representação política decidiu começar pelo básico: fazer com que quem vive em Joinville também vote em Joinville.
Agora, no dia 4 de outubro, começa a segunda parte dessa experiência. O título pode ter mudado de cidade. O próximo movimento será saber quantos desses novos eleitores vão sair de casa para votar.



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