A rua Júlio Vieira, no bairro Jardim Sofia, foi o local escolhido para a soltura dos primeiros mosquitos da terceira fase do Método Wolbachia de combate à dengue em Joinville. Com a nova etapa, a cidade se torna uma das primeiras no Brasil a implementar a tecnologia em 100% da área urbana.
A primeira soltura contou com a presença da prefeita Rejane Gambin; equipes da Secretaria da Saúde; representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que conduz a implementação junto ao Ministério da Saúde; e da Wolbito do Brasil, que opera a tecnologia e monitora as solturas junto às equipes da Vigilância Ambiental.
Para a prefeita Rejane Gambin, que participou ativamente da implementação da tecnologia no município desde a primeira fase, o momento representa uma conquista para a saúde pública de Joinville e demonstra que a gestão está aberta para a inovação, usando uma tecnologia inovadora para garantir mais saúde e bem-estar à população.
“É um orgulho para Joinville ser referência e mostrar que estamos abertos à inovação. A gente acreditou nisso lá atrás e agora estamos colhendo os frutos. Além da implementação do Wolbachia, que agora chega a 100% da área urbana, seguimos o trabalho de mutirões, educação nas escolas e conscientização da população. Tudo isso junto fez a gente chegar a esse resultado maravilhoso”, destaca a prefeita.
Recentemente, o Ministério da Saúde adotou o Método Wolbachia como política pública de saúde para controle das arboviroses. Diogo Chalegre, pesquisador da Fiocruz que acompanhou a soltura, destaca o comprometimento de Joinville na implementação da iniciativa.
“Joinville é um exemplo de implementação do Método Wolbachia. Tivemos uma parceria muito forte e uma vontade muito grande da Prefeitura em fazer dar certo, e isso faz diferença para a implementação. Joinville passa a ser um modelo de uma implementação, praticamente com toda a contrapartida do município para entregar uma política pública de qualidade para a população”, diz o pesquisador.
As solturas da terceira fase do Método Wolbachia são realizadas em 11 bairros: América, Atiradores, Centro, Jardim Iririú, Jardim Sofia, Jarivatuba, Parque Guarani, São Marcos, Santa Catarina, Zona Industrial Norte e Zona Industrial Tupy (Boa Vista).
O trabalho ocorre de terça a sexta-feira sempre no início da manhã, a fim de aproveitar o pico de atividade do mosquito e as condições climáticas favoráveis neste período. As solturas são realizadas pelas equipes da Vigilância Ambiental, treinadas pela Wolbito do Brasil, em carros identificados e com profissionais habilitados. Em cada ponto de soltura, é aberto um frasco com cerca de 300 mosquitos.
“A gente inicia hoje com 26 semanas de liberação. São 11 bairros contemplados e 11 rotas de liberação, com dois veículos rodando de terça a sexta-feira, soltando os nossos Wolbitos em 2.540 pontos”, explica Tamila Kleine, coordenadora regional de implementação da Wolbito do Brasil.
Ligia Gilgen, que mora na rua Júlio Vieira, onde ocorreu a primeira soltura, comemora a chegada do Método Wolbachia no seu bairro. Moradora há mais de 30 anos do Jardim Sofia e presidente do conselho local de saúde, ela acredita que esta nova fase vai beneficiar e trazer mais tranquilidade à população da região.
“Minha família sofreu muito com a dengue: eu, meu marido e meu filho tivemos e sabemos que não foi fácil. Esse é um benefício que vai ajudar a todos e trazer mais tranquilidade e mais saúde. Já está ajudando”, avalia.
O Método Wolbachia é uma tecnologia inovadora e sustentável conduzida pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, e operada pela Wolbito do Brasil.
A inserção da bactéria Wolbachia, presente naturalmente em vários insetos, como a abelha, impede que os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana se desenvolvam dentro do Aedes aegypti. Com a reprodução e o crescimento gradativo dos insetos com Wolbachia, chamados de Wolbitos, o método contribui para a redução dessas doenças.
A implementação do Método Wolbachia em Joinville iniciou em agosto de 2024. Durante a primeira fase, 17 bairros do município foram contemplados, em uma área de abrangência de 360 mil moradores. Em 2025, o Método avançou para a segunda etapa, com mais 15 bairros selecionados em uma área de abrangência de 150 mil moradores.
Em 2024, no ápice da epidemia da dengue em Joinville, o município registrou 80.200 casos da doença e 83 óbitos. Desde 2025, Joinville não registra nenhum óbito causado pela dengue e atingiu em 2026 seu menor risco epidemiológico dos últimos cinco anos, com uma redução de 35% nos focos do mosquito Aedes aegypti. Atualmente, o município tem 66 casos confirmados de dengue e nenhum óbito.
