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O projeto do arranha-céu de luxo "Messias Sky Tower", em Itapema (SC), enfrenta dificuldades para sair do papel. Lançado com apoio dos filhos de Jair Bolsonaro, o edifício de mais de 50 andares promete marina e charutaria, mas esbarra em entraves como licença ambiental e conflitos com corretores. Apesar de obter a licença ambiental recentemente, a construtora Dallagassa suspendeu o cronograma enquanto avalia a viabilidade do projeto.

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Com o segundo metro quadrado mais caro do Brasil e mercado imobiliário aquecido, o município de Itapema (SC) tem novos prédios subindo a cada esquina — exceto em uma, a da Avenida Nereu Ramos com o Rio Bela Cruz, onde uma casa simples segue intacta no terreno prometido, há seis meses, para receber a “Messias Sky Tower”.

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O nome é uma referência mal disfarçada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que teve 75% dos votos do eleitorado de Itapema em 2022. Lançado com pompa em um evento que reuniu Jair Renan e Carlos Bolsonaro, filhos “04” e “02” do ex-presidente, respectivamente, o prédio foi projetado para ter mais de 50 andares, mas pode acabar sem nenhum: dificuldades para obter licença ambiental, atritos com corretores locais e um desencontro com os atuais donos do terreno ameaçam encerrar o projeto antes mesmo de a primeira pedra ser colocada.

— A história do Bolsonaro não acabou, e esses momentos o eternizam ainda mais — discursou Carlos no evento de lançamento, em outubro.

Procurados, os donos da casa recomendaram à reportagem que entrasse em contato com o corretor Alexandre Maffezzolli, um dos responsáveis por intermediar a permuta do terreno entre os atuais proprietários e a construtora Dallagassa, idealizadora do projeto. Ao ser informado sobre o motivo do contato, Maffezzolli bloqueou o jornalista em um aplicativo de mensagens e parou de atender as ligações.

Fontes do mercado de imóveis de Itapema avaliam que a “Messias Sky Tower” queimou etapas, precipitando a própria divulgação em um momento no qual, apesar do terreno garantido, ainda não tinha cumprido burocracias básicas, como a obtenção de Licença Ambiental Prévia (LAP) junto à prefeitura. Na virada do ano, os mesmos corretores que haviam dado o impulso inicial ao arranha-céu bolsonarista passaram a cobrar a construtora pela demora — já que as comissões só são pagas a partir da venda de apartamentos.

O GLOBO apurou que, devido às turbulências, a Dallagassa chegou a notificar os donos do terreno sobre sua intenção de fazer um distrato, ou seja, que desistia de construir o prédio em homenagem ao ex-presidente. Na semana passada, porém, a construtora descobriu que obteve, enfim, a licença ambiental — emitida no dia 6 —, o que lhe permite agora solicitar o alvará de construção.

No entanto, além do desgaste acumulado, o contexto atual é diferente do de seis meses atrás, quando Bolsonaro ainda não havia sido preso por tentar romper sua tornozeleira eletrônica. Anteontem, o ex-presidente retornou ao regime domiciliar, após uma longa internação por problemas de saúde.

Procurada, a Dallagassa afirmou, em nota, que não há mais “impedimento administrativo” às obras, mas que “avaliará, em conjunto com os demais envolvidos, a conveniência e oportunidade de eventual retomada do projeto, bem como os termos em que isso poderá ocorrer”. A construtora admitiu ainda que o cronograma previsto inicialmente precisou ser “suspenso em razão da necessária tramitação do licenciamento ambiental”.

Apesar do nome em homenagem a Bolsonaro e dos elogios de Carlos e Jair Renan — que serão candidatos, respectivamente, a senador e deputado federal por Santa Catarina este ano —, o projeto não tem vínculo direto com a família do ex-presidente. O nome do prédio, por exemplo, foi registrado pela própria Dallagassa junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

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