Morreu na quarta-feira, aos 58 anos, Sandro Virgílio Francisco, o conhecido Sargento Virgílio, ex-policial militar que integrou por anos o 18º Batalhão da Polícia Militar de Brusque. Há 17 anos, ele teve a carreira marcada pelo envolvimento na operação Arrastão, investigação sobre exploração ilegal de jogos de azar com a participação de policiais no esquema.
Preso e condenado, ele deixou a corporação e refez a vida profissional na educação pública, desta vez em Itajaí. Sandro estava internado no hospital Santo Antônio, em Brusque, onde tratava um câncer, e seu falecimento foi confirmado às 16h40. O velório foi no Memorial Brusque, mesmo local do sepultamento. Casado, deixou três filhos.
A primeira fase da trajetória de Sandro foi construída na polícia Militar, segundo informou o jornalista Valdomiro Motta em sua página das redes sociais. Integrante do 18º BPM, em 2009 ele acabou envolvido na operação Arrastão, da polícia Federal, que investigou um esquema de exploração ilegal de jogos de azar e a suposta proteção oferecida por agentes públicos à atividade.
O processo avançou na justiça Militar em 2013, quando 12 policiais militares foram condenados. Entre eles estava Sandro, que recebeu pena de nove anos e meio de prisão, em regime fechado, por peculato e corrupção passiva. A condenação encerrou sua carreira policial. Depois de cumprir a pena, segundo relatos publicados sobre sua trajetória, Sandro seguiu um caminho completamente diferente: a educação pública.
Em Itajaí, construiu uma segunda carreira, mais discreta, como professor de matemática. Nos últimos anos, trabalhou nas escolas isoladas Maria Perpétua Pereira e Duque de Caxias. Em seguida, lecionou informática.
Registros oficiais mostram sua atuação em diferentes funções na secretaria. Consolidou a carreira como instrutor de informática, cargo registrado oficialmente até os últimos anos de atividade. A nova trajetória também esteve ligada à formação acadêmica. Sandro cursou Letras na Univali e Direito na Unifebe. Também se dedicou a um mestrado.
Longe dos holofotes que marcaram seu passado policial, Sandro passou os últimos anos como um discreto servidor municipal. Para colegas e estudantes, era o professor de informática que circulava pelas escolas municipais.
Nesta quarta, a secretaria de Educação de Itajaí lançou nota de pesar expressando “solidariedade aos familiares, aos amigos, às comunidades escolares por onde Sandro passou e a todos que o amavam”. Entre a farda, a investigação, a prisão, a condenação e o recomeço na sala de aula, o outrora Sargento Virgílio construiu uma trajetória marcada por capítulos muito diferentes entre si.
Juvan Neto; formado em Jornalismo pela Univali e graduando em Direito. Escreve sobre as cidades de Barra Velha, Penha e Balneário Piçarras.



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