De acordo com o painel de casos divulgado pelo Ministério da Saúde nesta semana, o Brasil se aproxima dos 150 casos de mpox neste 2026. Até o momento são 140 registros confirmados e mais nove suspeitos em todo o país. Os registros estão espalhados em 13 estados. São eles: Amazonas, Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins, além do Distrito Federal.
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A maior parte dos casos (93, de acordo com o Ministério da Saúde) estão concentrados no estado de São Paulo, historicamente a região que mais tem diagnóstico da doença. E, não custa lembrar, é o estado mais populoso do país. Especialistas ouvidos pelo GLOBO, porém, reforçam que, embora seja preciso lidar com a doença com cautela, os dados atuais não indicam início de uma crise causada pela infecção. No país, 2022 foi o pior ano de disseminação da doença, chegando a 10 mil casos, para se ter uma comparação.
O secretário de Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva, afirmou, por exemplo, que os casos paulistas de mpox estão em patamar inferior ao visto no ano passado.
— Um dado importante é que temos o mesmo clado (cepa) do ano anterior. Sempre acontece um pequeno pico de casos após o carnaval. E é importante dizer que não houve nenhum óbito. Seguimos monitorando e tomando todas as medidas necessárias ao identificar um diagnóstico, para que seja possível fazer a prevenção ao redor do paciente, para a doença não se disseminar — afirmou Eleuses.
Os dados deste ano de 2026, explica Ralcyon Teixeira, diretor médico do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, ajudam a identificar que, de fato, a mpox se tornou endêmica no Brasil, como foi previsto em 2022, quando a doença causou seus maiores picos e figurou como uma emergência de saúde.
— Reforçamos sempre com profissionais de saúde que a doença se tornou endêmica no país. Ela não causa mais aquele grande volume de casos de 2022, mas segue tendo casos mensais, semanais. O vírus segue circulando — afirma. — Hoje há uma população que está sob maior risco de infecção. Que são os HSH (homens que fazem sexo com homens), profissionais do sexo também. Se uma pessoa exibir febre com lesões, ou então uma dor anal importante, ela deve procurar um serviço de saúde para ser observada e coletar exames. O primeiro recado é: quem estiver com suspeita, vá ao hospital para tirar a dúvida do diagnóstico.
Os especialistas ainda lembram que é de extrema importância atentar-se aos sintomas e verificar se o parceiro sexual não apresenta lesões que seriam compatíveis com a mpox. Pois essa é a forma mais comum de disseminação da doença.
— Para que ocorra a transmissão, é preciso acontecer o contato íntimo prolongado, por meio da relação sexual principalmente — afirma Julio Croda, infectologista da Fiocruz e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).— Ao comparar esse ano passado e este ano, não há um padrão epidemiológico diferente. Não existe um sinal de aumento importante de casos.
Alexandre Naime Barbosa, o chefe do Departamento de Infectologia da Unesp, lembra que para toda a população é importante ficar "alerta" para não ter contato íntimo com parceiros que estejam com sinais e sintomas da doença.
— É importante prestar atenção em um calendário social da transmissão. Passaram cerca de 3 semanas do carnaval, e justamente o período de incubação da mpox é de 5 a 14 dias, podendo chegar a 21. Contudo, antes do carnaval já tinha um volume de casos aparecendo. Não significa que o vírus esteja circulando de maneira descontrolada, mas estamos tendo diagnósticos— afirma. — A boa notícia é que a totalidade dos casos se deu de maneira leve a moderada, sem mortes. Então, é importante manter essa vigilância ativa e fazer comunicação em saúde, para que as pessoas tenham percepção de risco, sem alarmismo. Não é uma situação descontrolada, mas é um assunto que precisa ser discutido.
Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a mpox se espalha de pessoa para pessoa principalmente por meio de contato próximo com alguém contaminado, como pele a pele, toque ou relação sexual e contato boca a boca ou boca com pele como beijo. De acordo com a OMS, pessoas com múltiplos parceiros sexuais têm maior risco de adquirir mpox.
O contato próximo também pode incluir ficar frente a frente com alguém que tem mpox, como conversar ou respirar próximo um do outro, o que pode gerar partículas respiratórias infecciosas.
Além disso, é possível contrair o vírus a partir de objetos contaminados, como roupas ou roupas de cama, por meio de acidentes com agulhas em serviços de saúde ou em ambientes comunitários, como estúdios de tatuagem. Durante a gravidez ou o parto, o vírus também pode ser transmitido ao bebê.
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