Dona do Pará Pai D’Égua afirma ter recebido ameaças e mensagens contra paraenses
A cor vermelha da identidade visual de um restaurante de comida típica paraense virou motivo de ataques nas redes sociais em Joinville. A empresária Kelren Maciel, proprietária do Pará Pai D’Égua, afirma ter recebido comentários pedindo a retirada da cor da marca e mensagens sugerindo que clientes deixariam de comprar no estabelecimento por causa da associação com o Partido dos Trabalhadores (PT).
Em um vídeo publicado na terça-feira, 27, a empresária rebateu as críticas e explicou que a cor faz parte da bandeira do Pará, estado cuja culinária e cultura são o centro do negócio. Segundo ela, as mensagens chegaram a incluir ameaças de boicote e comentários direcionados aos paraenses que vivem em Santa Catarina.
“Eu recebi um comentário aqui, né, para eu tirar essa cor, tirar essa logo, né, porque senão as pessoas não vão comprar na minha loja”, contou.
O restaurante tem unidades nos bairros Espinheiros e Itinga e comercializa comidas típicas e produtos paraenses. Para Kelren, a identidade visual não é uma declaração política, mas uma forma de manter vivas as referências culturais de sua terra natal.
Ao responder às críticas, Kelren destacou que o propósito do estabelecimento é apresentar os sabores e costumes do Pará aos moradores de Joinville, além de atender à comunidade paraense que vive na região. “Eu não levanto pautas sobre política na minha vida, não levanto pautas sobre política. As minhas redes sociais, as minhas lojas, elas servem pra vender produto do Pará”, afirmou.
Durante o vídeo, a empresária mostrou uma camisa com a bandeira paraense para reforçar a explicação. A reação veio após comentários que, segundo ela, relacionavam a cor da marca a uma posição partidária e sugeriam que a mudança da identidade visual seria necessária para evitar a perda de clientes. “Eu não posso mudar a cor da bandeira, porque quando eu nasci, a bandeira já era vermelha”, declarou.
Além das críticas à marca, Kelren relatou ter recebido mensagens mandando os paraenses voltarem ao estado de origem. As manifestações, segundo o relato, ultrapassaram a discussão sobre a identidade visual do restaurante.
"O que a gente tem mais recebido é pedidos para a gente voltar para o Pará, mas estamos no Brasil. A bandeira vermelha também significa açaí para que os paraenses identifiquem que aqui é do Pará e também pessoas aqui de Santa Catarina que queiram experimentar uma comida diferente. Então, parem com isso de que ninguém mais vai pode andar com uma cor vermelha. Nós amamos usar a camisa do nosso estado, mas não podemos porque agora somos xingados na rua", desabafou.
O caso ocorre em meio a uma onda de manifestações de empresas nas redes sociais, com comunicados sobre a suspensão de doações, patrocínios e apoios a projetos sociais por tempo indeterminado. Algumas publicações também mencionaram janeiro de 2032 como previsão para reavaliar a medida.
Em Joinville, uma gráfica aderiu à campanha e provocou repercussão nas redes sociais. A publicação ultrapassou 12 mil comentários e, diante da repercussão, a empresa encerrou a conta no Instagram.
Ponto Norte Joinville Ltda R. João Pessoa, 2033 - Costa e Silva, Joinville - SC, 89218-533


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