A empresa Nauterra, líder em pescados enlatados no Brasil, que já tem uma enlatadora da marca GDC no bairro Murta, em Itajaí, confirmou a compra dos ativos da fábrica de farinha de peixe Farol. A unidade é uma operação de bioprodutos anteriormente conduzida pelo Grupo Patense, que entrou em recuperação judicial.

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Segundo a Nauterra, a transação foi no contexto do processo de recuperação judicial da vendedora e será liquidada parcialmente por meio da compensação de obrigações financeiras entre as partes.

A companhia afirma que a iniciativa está alinhada à estratégia de fortalecer a atuação em economia circular, com o processamento de resíduos para a produção de farinha e óleo de peixe, contribuindo para a valorização de subprodutos e a redução de impactos ambientais.

A fábrica, que fica na rua Francisco Reis, no bairro Cordeiros, é alvo constante de reclamações de moradores por causa do mau cheiro. “A Nauterra conduz suas operações com rigorosos padrões ambientais e total conformidade com a legislação vigente. No caso desta unidade, que já conta com sistemas de controle instalados e licenciados, a companhia atuará com seu sistema de melhorias contínuas, assim como faz em todas as suas unidades. A companhia mantém um compromisso firme com a comunidade e o entorno, valorizando o diálogo aberto e transparente”, informou.

Oficialmente, a Nauterra não informou o valor da negociação, mas giraria em torno de R$ 135 milhões. A empresa Farol é controlada pelo Grupo Patense, de Patos de Minas (MG), que está em recuperação judicial desde 2024. A operação foi autorizada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste federal, no último dia 5 de março, segundo publicação do Diário Oficial da União (DOU).

Em 2023, o grupo Nauterra vendeu sua unidade de bioprodutos, a BFP Bioprodutos de Pescado, com sede no bairro Arraial dos Cunhas, justamente para o Grupo Patense. O grupo mineiro ficou responsável pela operação e venda da farinha e óleo de peixe a partir das sobras dos pescados. O retorno ao setor seria uma tentativa da Nauterra de reaver os débitos do grupo mineiro com a empresa, já que desde 2024 o Grupo Patense acumula dívidas com o grupo espanhol.

Assim que soube da compra, o vereador Cristiano Klaus Fischer (PRD) visitou a direção da empresa e cobrou solução definitiva para o mau cheiro. A situação já vinha sendo acompanhada pelo vereador desde 17 de dezembro de 2025, quando ele esteve na unidade industrial para verificar denúncias da comunidade.

Na ocasião, a empresa responsável apresentou dois métodos que seriam implantados para conter o odor: o enclausuramento da estação de tratamento de efluentes (Ete) e a instalação de uma máquina de ozônio. Com a venda da empresa, houve um encontro entre a gerência industrial da Nauterra e o vereador Cris Fischer, na semana passada.

Durante o encontro, foi constatado que apenas a primeira etapa, referente ao enclausuramento da estação de tratamento de efluentes, foi executada. A segunda medida, que é a instalação da máquina de ozônio considerada essencial para resolver o problema, ainda não foi implementada e não era de conhecimento da nova gestão. O vereador pediu para a empresa apresentar um plano com as próximas ações e soluções definitivas num prazo de 60 dias.

Nesta segunda-feira, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (Ima) informou ao DIARINHO que faz monitoramento das condicionantes do licenciamento ambiental e acompanha a operação da empresa. “Nas últimas semanas, não houve registro de denúncias formais nos canais oficiais relacionadas à empresa. Destacamos que o registro de ocorrências pela população é fundamental para qualificar a atuação do órgão, permitindo o cruzamento de informações como data e horário com a operação da empresa, o que contribui para ações mais direcionadas de fiscalização e eventual adoção de novas medidas”, informou.

O instituto reforça a importância de que ocorrências ambientais sejam formalizadas por meio do canal oficial de denúncias, disponível no site: https://gaia.ima.sc.gov.br/denuncia. “O registro é fundamental para viabilizar a abertura de procedimentos administrativos e a realização de vistorias técnicas, conforme os trâmites legais, contribuindo para uma atuação mais efetiva e direcionada em todas as regiões do estado”, finalizou o Ima.

Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"