Por Edson Augusto Schlogl, diretor geral da Incofios.

Existe um Brasil que, longe dos holofotes, continua acordando cedo, ligando as máquinas e transformando matéria-prima em produto, trabalho e renda.

É o Brasil que ainda produz, e ele tem um endereço muito claro em Santa Catarina. Quem vive a indústria catarinense de dentro, como nós da Incofios vivemos há mais de duas décadas, sabe que existe aqui algo que vai além da economia.

Existe uma cultura do fazer, uma vocação para a produção que se transmite de geração em geração e que ajudou a moldar a identidade deste estado.

Os números confirmam o que se sente no chão de fábrica. Em Santa Catarina, a indústria emprega 934,3 mil pessoas, o equivalente a mais de um terço de todos os trabalhadores do estado, segundo o Relatório Anual de 2025 da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC).

A indústria de transformação responde sozinha por cerca de 24% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, enquanto a média nacional fica em torno de 10%.

São quase um milhão de catarinenses que vivem direta e diariamente da atividade industrial, sustentando famílias e movimentando cidades inteiras que cresceram à sombra das fábricas.

Dentro desse cenário, o setor têxtil ocupa um lugar de honra. Ele é o maior empregador industrial do estado e coloca Santa Catarina como líder nacional na produção de vestuário, respondendo por mais de um quarto de tudo o que o Brasil produz nesse segmento, de acordo com levantamentos da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Cidades como Indaial, onde a Incofios tem sua sede, fazem parte de um polo têxtil que é referência para o país inteiro, um ecossistema construído ao longo de décadas com trabalho, conhecimento técnico e muita persistência.

É nesse contexto que enxergo o papel da Incofios e de tantas outras empresas que escolheram continuar produzindo aqui. Quando decidimos manter a produção de fios cem por cento algodão em solo catarinense, não estamos apenas tomando uma decisão econômica.

Estamos afirmando uma posição: a de que o Brasil é capaz de produzir com qualidade, com tecnologia e com responsabilidade. Cada fio que sai de nossas unidades carrega não só o algodão, mas o trabalho de pessoas que acreditam no que fazem e o orgulho de pertencer a uma cadeia produtiva genuinamente nacional.

Não ignoro os desafios. Produzir no Brasil exige enfrentar uma carga tributária pesada, um custo logístico elevado e a forte concorrência de produtos importados, muitas vezes vendidos a preços com os quais a indústria nacional não consegue competir em condições justas.

Manter as máquinas funcionando, nesse ambiente, é um ato diário de resiliência. Mas é justamente por isso que vale a pena falar com orgulho de quem permanece, investe e gera empregos em vez de simplesmente terceirizar tudo lá fora.

Acredito que reconhecer e valorizar o Brasil que ainda produz é mais do que um discurso, é uma escolha estratégica para o futuro do país. Uma nação que abre mão de sua indústria abre mão também de sua autonomia, de seus empregos qualificados e de sua capacidade de inovar.

Santa Catarina mostra, todos os dias, que existe um caminho diferente. E enquanto houver fábricas acesas, pessoas dispostas a trabalhar e empresas dispostas a investir, esse Brasil que produz seguirá vivo, forte e com muito a oferecer.

Na Incofios, temos orgulho de fazer parte dessa história e de ajudar a escrever os próximos capítulos dela.