Especialistas italianas participam de seminário neste sábado (7) para discutir criatividade, autonomia e novas formas de aprendizagem na educação infantil.

Durante muito tempo, a escola foi pensada como o lugar onde os adultos ensinam e as crianças aprendem. Mas e se os pequenos também tiverem muito a ensinar sobre a maneira como a educação deve funcionar? Essa reflexão estará no centro de um debate internacional que acontece neste sábado (7), em Jaraguá do Sul, reunindo profissionais brasileiros e especialistas da Itália.

O II Seminário Internacional de Educação Olim propõe discutir como as instituições de ensino podem responder às necessidades das novas gerações. O encontro será realizado das 8h às 18h, no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul (CEJAS), com o tema “A escola à altura dos desafios das infâncias”.

Entre os destaques estão duas pedagogistas italianas ligadas à abordagem Reggio Emilia, que ganhou reconhecimento internacional por valorizar a curiosidade, a criatividade e a participação das crianças no próprio aprendizado.

Uma das perguntas que orientam o seminário é: “O que as infâncias sabem que a escola ainda precisa reaprender?”. A proposta é provocar educadores e famílias a refletirem sobre o espaço que as crianças ocupam nas decisões e nas experiências que fazem parte da vida escolar.

A abordagem Reggio Emilia, desenvolvida no norte da Itália, parte do entendimento de que as crianças são capazes de investigar, criar hipóteses, experimentar e construir conhecimentos por diferentes caminhos. Nessa perspectiva, o brincar, a arte, o contato com a natureza e a exploração dos ambientes são considerados partes importantes da aprendizagem.

Isso não significa abandonar os conteúdos escolares ou retirar a responsabilidade dos professores. A proposta é reconhecer que a educação infantil também acontece quando a criança faz perguntas, manipula materiais, observa o ambiente e participa de experiências planejadas pelos educadores.

A discussão interessa a escolas de diferentes regiões, incluindo Blumenau e o Vale do Itajaí, onde famílias e profissionais também convivem com questões sobre desenvolvimento infantil, metodologias pedagógicas e qualidade do ensino.

As pedagogistas Roberta Prandi e Alessandra Caprari serão responsáveis por uma das atividades previstas para o encerramento do encontro. Elas apresentarão a palestra “O aprendizado através da linguagem do ateliê”, relacionada às experiências pedagógicas desenvolvidas na Itália.

Alessandra Caprari atua na educação de crianças de zero a seis anos, com formação pela Universidade de Bologna e pela Reggio Children. Desde 2006, trabalha na coordenação pedagógica da Coopselios, organização italiana que desenvolve atividades na área da infância.

Roberta Prandi possui 35 anos de experiência em educação e participa de projetos de formação de profissionais na Itália e em outros países. Ela também coordena projetos internacionais da Coopselios, incluindo iniciativas desenvolvidas em parceria com o Brasil.

As experiências apresentadas pelas especialistas devem ampliar a discussão sobre como os ambientes escolares podem estimular diferentes formas de expressão, respeitando os interesses e as descobertas das crianças.

A programação do seminário também inclui debates sobre temas presentes no cotidiano de escolas e famílias, como alimentação, movimento, contato com a natureza, organização dos espaços e desenvolvimento da autonomia.

Pela manhã, serão realizados cinco workshops simultâneos. Entre os assuntos estão a relação entre corpo e aprendizagem, a criação de ambientes mais acolhedores para a infância, o desenvolvimento de projetos pedagógicos e a alimentação como parte da experiência educativa.

À tarde, com transmissão on-line, a programação terá discussões sobre políticas públicas para a primeira infância e novas maneiras de organizar o aprendizado.

Um dos convidados é Thiago Berto, idealizador da Cidade Escola Ayni, em Guaporé, no Rio Grande do Sul. Ele abordará experiências que aproximam a educação da natureza e estimulam a autonomia infantil.

A discussão sobre a educação infantil não se limita às metodologias utilizadas dentro das escolas. Ela também envolve a formação dos professores, a organização dos ambientes de aprendizagem e as políticas públicas destinadas às crianças nos primeiros anos de vida.

Para Antonio de Souza Júnior, doutor em Educação e diretor-executivo da Olim, discutir novas práticas educacionais é uma maneira de contribuir para o desenvolvimento das comunidades.

“Acreditamos que transformar a educação também é transformar a cidade”, afirma o educador.

A proposta do seminário é reunir experiências e perspectivas diferentes para ampliar a reflexão sobre como as instituições de ensino podem responder às necessidades das crianças.

O encontro é promovido pelo Olim Grupo Educacional, com apoio do Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina e colaboração do Learning by Languages.

A programação completa e as informações sobre o evento estão disponíveis no site oficial do seminário.

Para pais e responsáveis de Blumenau e do Vale do Itajaí, o debate propõe uma reflexão sobre o que observar na educação dos filhos. Além da estrutura física e dos conteúdos ensinados, vale considerar como cada escola estimula a curiosidade, acolhe perguntas e permite que as crianças experimentem e descubram coisas novas.

Para os professores, as experiências apresentadas no seminário podem servir como referências para repensar atividades e ambientes de aprendizagem. O encontro não estabelece que exista um único modelo ideal de escola, mas abre espaço para discutir o que pode ser aprimorado na educação infantil.