O Governo de Santa Catarina acaba de lançar o programa VOA + SC. A ideia é subsidiar voos regionais partindo de Florianópolis para nove cidades do interior, com passagens a partir de R$ 315 e investimento estadual de até R$ 22,5 milhões no primeiro ano.

As rotas vão ligar Florianópolis a Blumenau, Joinville, Lages, Jaguaruna, Caçador, Joaçaba e São Miguel do Oeste, entre outros destinos. As operações começam com aeronaves pequenas, de 9 a 19 lugares. A abertura das propostas licitatórias ocorre em 17 de julho, e o início das operações está previsto para novembro ou dezembro.

Santa Catarina tem um problema que ninguém gosta de admitir: é um estado com destinos turísticos de alto nível espalhados pelo território e com uma logística que não ajuda ninguém a conhecê-los. Quem vem de fora desembarca em Florianópolis, fica em Florianópolis e vai embora de Florianópolis. O interior fica esperando.

O VOA + SC abre uma brecha nesse padrão. O turista que desembarca na capital com três, quatro dias pela frente pode, com voos regionais acessíveis, passar uma noite em Florianópolis e no dia seguinte já estar em outro destino. Depois, outro. Uma rota pelo estado inteiro sem precisar de carro, sem depender de estrada, sem perder horas de viagem.

Essa lógica de roteiro conectado é o que pode transformar o turismo catarinense de verdade. E quem opera hotéis em mais de um ponto do estado começa a enxergar oportunidades que antes simplesmente não existiam.

Na Átrio, gestora hoteleira que administra nossos hotéis, isso já é concreto. O turista desembarca em Florianópolis e se hospeda no LK Hotel, na capital. De lá, um voo rápido leva a Blumenau e ao Villa do Vale, no coração do Vale Europeu. Depois, uma curta viagem até a Praia Brava de Itajaí, com o Brava Mundo. E para fechar, Rancho Queimado e o Montissi, que inaugura esse mês, inserido na natureza serrana.

Quatro destinos. Quatro experiências completamente diferentes. Um mesmo estado. O programa também responde a uma demanda do setor discutida há anos. Blumenau tem uma rede hoteleira crescendo em ritmo acelerado, com novos empreendimentos chegando e outros em construção. Mas depende de eventos pontuais para encher seus quartos. Facilitar o acesso aéreo ao interior é uma das formas mais diretas de distribuir melhor o fluxo turístico ao longo do ano. O mesmo vale para a Serra, para o Meio-Oeste, para o extremo Oeste. Regiões com cultura, gastronomia e paisagem para oferecer, mas que ficam fora do roteiro da maioria dos visitantes por dificuldade de acesso.

Mas a iniciativa está na direção certa. O poder público identificou um gargalo real e propôs uma solução com orçamento definido e prazo concreto. Agora falta o setor privado fazer sua parte: criar produtos, roteiros e experiências que justifiquem o deslocamento. O voo resolve a logística. O destino precisa resolver o resto.