Santa Catarina ostenta o título de estado com a maior expectativa de vida do Brasil, alcançando uma média de 81,1 anos, conforme dados do IBGE. Este indicador, que reflete o bem-estar e os avanços na saúde da população, contrasta fortemente com um cenário alarmante de violência e negligência contra os idosos no estado. Nos primeiros quatro meses de 2026, mais de 14 mil casos de violações contra pessoas idosas foram registrados, representando um aumento de 6,86% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Este paradoxo levanta sérias preocupações sobre a qualidade de vida e a segurança da população idosa catarinense. Enquanto a longevidade aumenta, os mecanismos de proteção e garantia de direitos parecem não acompanhar o mesmo ritmo. A discrepância entre a alta expectativa de vida e o crescente número de violações sugere que fatores sociais, econômicos e culturais podem estar impactando negativamente a experiência de envelhecimento no estado.
As violações contra idosos podem abranger diversas formas, incluindo abuso financeiro, negligência, maus-tratos físicos e psicológicos, além de exploração. A elevação desses índices aponta para a necessidade urgente de fortalecimento das redes de apoio, conscientização da sociedade e a implementação de políticas públicas mais robustas e eficazes. É fundamental que o estado que se destaca pela longevidade também se torne referência em proteção e dignidade para seus cidadãos mais velhos.
A situação em Santa Catarina exige um debate aprofundado sobre as causas subjacentes a esse aumento de violações e a busca por soluções integradas. A longevidade, por si só, não garante uma vida plena e segura. É imperativo que o poder público, em parceria com a sociedade civil e organizações especializadas, atue de forma proativa para reverter essa tendência, assegurando que os anos adicionais de vida sejam vividos com segurança, respeito e qualidade.