Uma iniciativa promissora está em curso no Sul de Santa Catarina, com o potencial de revolucionar a produção nacional de morangos. A Estação Experimental da Epagri em Urussanga deu início a uma pesquisa focada no desenvolvimento de um sistema de produção de mudas de morango que sejam acessíveis e de alta qualidade para os agricultores brasileiros. O projeto, que conta com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapesc), é coordenado pelo engenheiro-agrônomo Francisco Olmar Gervini de Menezes Júnior e tem a colaboração do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense em Rio do Sul e da Universidade Estadual de Londrina (UEL-PR). A previsão é que a pesquisa seja concluída em abril de 2028.

Atualmente, o cenário para os produtores de morango no Brasil é marcado pela dependência de cultivares estrangeiros, com a maioria das mudas sendo importada de países como Chile, Argentina e Espanha. Essa dependência resulta em custos elevados, com o preço das mudas chegando a R$ 2,20 a unidade, o que representa um gasto significativo para os produtores, podendo ultrapassar R$ 200 mil por hectare em alguns tipos de cultivo. Além do alto custo, a importação gera uma evasão de divisas estimada em R$ 300 milhões anuais. A situação é agravada pela qualidade inconsistente das mudas produzidas nacionalmente, levando muitos agricultores a optarem pela importação, mesmo com os desafios logísticos e os custos adicionais.

Os produtores relatam a necessidade de comprar mudas em maior quantidade para compensar as perdas por plantas que não se desenvolvem. Fabrícia Duarte Silva e Vilson Silva, produtores de Içara (SC), exemplificam a situação ao relatar o gasto de quase R$ 20 mil em mudas importadas no último ano para um cultivo de porte considerado pequeno. Apesar de buscarem fornecedores nacionais, eles expressam receio quanto à qualidade e à sanidade das plantas oferecidas no mercado interno, citando casos de perdas expressivas de mudas em outras propriedades.

A pesquisa da Epagri não se limita a desenvolver um sistema de produção, mas também visa avaliar genótipos de diversas origens, considerando a produtividade, a qualidade dos frutos e a sanidade fitossanitária. O objetivo é que as mudas de alta qualidade cheguem aos agricultores com um custo até 50% inferior ao praticado atualmente. "O desenvolvimento de um sistema de produção nacional de mudas de morango vai permitir o surgimento de viveiristas nacionais com produção de alta qualidade, a disseminação de cultivares nacionais e a aquisição de mudas pelos agricultores a um menor preço e no momento correto de transplante. Isso trará benefícios a toda a cadeia produtiva do morangueiro", projeta o pesquisador Gervini. A iniciativa reforça o pioneirismo de Santa Catarina no cultivo semi-hidropônico do morangueiro, modalidade que já representa 72% da produção estadual e oferece vantagens no manejo e controle de doenças.