O governador Jorginho Mello anunciou o encaminhamento à Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) de um projeto de lei que formaliza o novo acordo para o piso salarial regional. A medida é resultado de amplas discussões e consensos alcançados entre lideranças da indústria e dos trabalhadores catarinenses, um processo que o governador destacou como um exemplo de maturidade e interesse mútuo para o Brasil. A expectativa é que a aprovação ocorra rapidamente, consolidando os valores negociados e reforçando a tradição de diálogo social no estado.
Os novos patamares salariais estabelecem um reajuste que visa não apenas cobrir a inflação, mas também proporcionar um ganho real aos trabalhadores. Os valores acordados foram definidos em quatro faixas distintas: a primeira passa para R$ 1.842,00; a segunda, para R$ 1.908,00; a terceira atinge R$ 2.022,00; e a quarta e última faixa alcança R$ 2.106,00. Este ajuste busca equilibrar as necessidades de remuneração digna com a capacidade produtiva do estado, garantindo um incremento no poder de compra dos trabalhadores.
Gilberto Seleme, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), salientou a importância do diálogo contínuo que caracteriza essas negociações há 16 anos. Ele ressaltou que, apesar da natural busca de cada parte por seus melhores interesses e da já elevada carga tributária enfrentada pelo setor produtivo, o acordo conseguiu ir além da mera reposição inflacionária. Para Seleme, o reajuste, que incluiu a inflação acrescida de quase 70% da inflação novamente, representa um ganho real significativo para os trabalhadores, gerando satisfação para ambas as partes e contribuindo para a dinamização da economia catarinense.
Por sua vez, Ivo Castanheira, coordenador sindical do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE-SC) e diretor da Federação dos Trabalhadores no Comércio de Santa Catarina (FECESC), corroborou a complexidade do processo negocial. Ele explicou que as discussões para o atual acordo tiveram início em novembro do ano anterior, seguindo uma tradição de negociação que se estende desde 2010. Apesar dos interesses divergentes entre empresários e trabalhadores, o bom senso prevaleceu, resultando em um reajuste considerado positivo dentro do panorama atual das negociações coletivas.
