O Partido Liberal (PL) em Santa Catarina ostenta projeções otimistas para a próxima legislatura da Assembleia Legislativa (Alesc), estimando conquistar cerca de 14 cadeiras. Esse cenário favorável é atribuído, em grande parte, à força do número 22 em um estado com eleitorado predominantemente de direita, somada à construção de uma nominata robusta de candidatos. A expectativa de que o governador Jorginho Mello busque a reeleição eleva ainda mais o potencial do partido, pois a possível ida de parlamentares eleitos para cargos no Executivo abriria vagas para suplentes, ampliando a representatividade do PL no legislativo estadual.
Contudo, o caminho para consolidar essa influência política não se mostra isento de obstáculos. Uma das principais preocupações reside na previsão de uma 'eleição sangrenta' dentro da própria sigla, com disputas acirradas entre os candidatos liberais. Esse ambiente de confronto é um reflexo direto de uma divisão que se origina em nível nacional, motivada pela polarização entre as alas de Eduardo Bolsonaro e o deputado federal de Minas Gerais, Nikolas Ferreira, pela liderança da militância bolsonarista. A tendência é que essa cisão se manifeste claramente em Santa Catarina, gerando atritos entre os grupos.
Além das tensões ideológicas e de liderança em escala nacional, o presidente estadual do PL, Jorginho Mello, independentemente de sua situação no governo em 2028, terá o desafio de pacificar disputas regionais em anos de eleições municipais. A prática de 'botar para dentro' diferentes lideranças, muitas vezes com interesses conflitantes, já tem gerado reclamações de membros do partido. Municípios estratégicos como Blumenau e Criciúma, por exemplo, transformaram-se em focos de desafetos e interesses divergentes, tanto para as eleições atuais quanto para o pleito municipal de 2028.
Assim, enquanto o PL demonstra uma notável capacidade de formar uma nominata forte, com grande potencial para eleger um número expressivo de representantes, essa força vem acompanhada de uma fragilidade interna considerável. O partido se configura, metaforicamente, como uma 'bomba-relógio', com o risco de ter suas disputas de alas e diferenças regionais detonadas. Administrar esses conflitos será um dos maiores desafios para a liderança do partido nos próximos ciclos eleitorais, exigindo habilidade política para evitar que as fissuras internas comprometam o desempenho e a coesão da legenda.
