Um policial militar da reserva, que atualmente atua como motorista de aplicativo, viveu momentos de terror na Serra Catarinense ao ser sequestrado por três criminosos durante uma corrida. A vítima relatou às autoridades que os agressores afirmaram ter uma "encomenda" para sua morte, com um pagamento de R$ 5 mil adiantados e outros R$ 5 mil após a execução. Em um ato de legítima defesa, o PM conseguiu reagir ao ataque, efetuando um disparo que resultou na morte de um dos sequestradores no local.

O incidente teve início quando o motorista recebeu uma ligação solicitando uma corrida com partida de Anita Garibaldi e destino a Zortéa, com o pagamento feito antecipadamente. Ao chegar a um posto de combustível, dois homens embarcaram no veículo, um Fiat Strada. Posteriormente, o grupo instruiu o motorista a seguir para Campo Belo do Sul, onde um terceiro indivíduo se juntou ao grupo no carro. A trama criminosa se desenrolou quando a vítima foi orientada a dirigir até uma cooperativa para retirar uma suposta encomenda, um pretexto para o início da agressão.

No momento em que o veículo foi estacionado, um dos criminosos aplicou um golpe de "mata-leão" no motorista e encostou uma faca em seu pescoço, anunciando o assalto. As mãos da vítima foram amarradas com um cadarço, e ela foi forçada a se mover para o banco traseiro, sob constante ameaça com a arma branca. Um dos sequestradores assumiu a direção do carro, enquanto a vítima era informada de que seria levada para a localidade de São José do Cerrito para ser executada, sofrendo ameaças contínuas durante todo o trajeto.

Próximo ao portal de São José do Cerrito, o veículo parou. Um dos agressores recebeu uma ligação, tirou fotografias e se afastou. Foi nesse instante que a vítima, aproveitando a distração e a oportunidade, conseguiu se desamarrar. Ao perceber a reação, o criminoso que empunhava a faca tentou atacá-lo novamente. O policial reagiu prontamente, efetuando um disparo que atingiu fatalmente o agressor. Os outros dois criminosos empreenderam fuga em direção a uma área de mata densa.

Após a fuga dos comparsas, o policial saiu do veículo e buscou auxílio de um transeunte, que acionou a Polícia Militar via 190. Guarnições especializadas, incluindo o Tático e a Agência de Inteligência, foram mobilizadas, realizando buscas e incursões com o uso de drones na tentativa de localizar os foragidos. A Polícia Civil foi acionada e o delegado de plantão avaliou o caso como legítima defesa, dispensando a necessidade de a vítima se deslocar até a delegacia.

Horas após o confronto, os dois comparsas que haviam fugido para a mata foram localizados e detidos pela Polícia Militar. A prisão ocorreu em uma residência na região de Lages, para onde os criminosos tentaram se esconder. A Polícia Científica compareceu ao local do crime para realizar os trabalhos periciais e a remoção do corpo do agressor, que não portava documentos e não foi identificado de imediato. O celular encontrado com o criminoso e a pistola G2C da vítima foram apreendidos para investigação.

O veículo Fiat Strada, utilizado na corrida e palco do sequestro, apresentava perfurações nas portas e vidros, sendo posteriormente liberado ao proprietário pela Polícia Científica. A investigação do caso prossegue para a completa identificação do autor morto, a apuração dos detalhes da "encomenda" de execução e o esclarecimento da motivação por trás do sequestro e da tentativa de homicídio do policial.