Uma operação policial em Timbé do Sul, Santa Catarina, desvendou uma complexa rede de corrupção eleitoral que utilizava cocaína para a compra de votos. A investigação, conduzida pela Delegacia de Polícia local, teve início em 2021, a partir de apurações sobre tráfico de drogas no município.

O ponto de partida para a descoberta do esquema foi a prisão em flagrante de um indivíduo suspeito de tráfico. Ao examinar o conteúdo de um celular apreendido com o suspeito, a equipe de investigação encontrou mensagens que detalhavam negociações com eleitores. As conversas revelaram que o suspeito oferecia R$ 50,00 por voto, mas o pagamento não era feito em dinheiro. Em vez disso, os eleitores recebiam porções de cocaína, referida internamente como "moeda branca", em troca de seus títulos de eleitor.

Eleitores que foram intimados pela polícia confirmaram ter enviado cópias de seus documentos de identidade eleitoral e, subsequentemente, recebido a substância ilícita antes do período de votação. O cruzamento de dados e o relatório final da investigação indicaram que um candidato a vereador na época foi o principal beneficiário do esquema fraudulento. Mensagens trocadas entre o político e o traficante, tanto antes quanto depois das eleições, corroboraram o conhecimento e a participação do candidato na operação ilícita.

O desfecho da investigação resultou na responsabilização de todos os envolvidos perante a Justiça Eleitoral. A condenação reconheceu formalmente a prática de corrupção eleitoral apurada pela Polícia Civil, evidenciando a gravidade dos atos que visavam manipular o processo democrático através de meios criminosos.