A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Combate a Estelionatos (DCE) de Joinville, em uma ação conjunta estratégica com o Núcleo de Inteligência e Segurança do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (NIS/TJSC), deflagrou na última terça-feira (24) a operação batizada como "Falso Precatório". O principal objetivo da força-tarefa foi desmantelar uma complexa organização criminosa que vinha aplicando golpes de estelionato em vítimas residentes no estado catarinense, lesando-as em milhões de reais.

O esquema criminoso consistia em uma fraude sofisticada, onde os golpistas utilizavam identidades de advogados legítimos para simular a iminente liberação de vultosos valores judiciais, os chamados precatórios. Com a promessa de pagamentos de causas ganhas, induziam as vítimas a realizarem transferências bancárias sob a justificativa de custas processuais ou taxas administrativas, que nunca eram efetivamente devidas. A ação mirou especificamente essa rede que, com alta capacidade de organização, causava prejuízos significativos à população de Santa Catarina.

Para combater a atuação em larga escala do grupo, a operação mobilizou as forças de segurança para o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 21 mandados de busca e apreensão. As diligências foram executadas simultaneamente em quatro estados da federação: Alagoas, São Paulo, Ceará e Bahia. Até o momento, cinco dos seis alvos de prisão preventiva foram detidos, com duas prisões ocorrendo em São Paulo, duas em Fortaleza e uma em Maceió, demonstrando a abrangência nacional da rede criminosa e a coordenação entre as polícias.

As investigações aprofundadas revelaram a magnitude financeira do esquema. Um dos principais investigados, em um curto espaço de tempo, movimentou sozinho mais de R$ 5 milhões, valor amplamente incompatível com sua atividade profissional declarada. Análises de dados financeiros e de comportamento indicaram que os recursos obtidos ilicitamente eram usados para financiar um padrão de vida de ostentação. Há registros de viagens internacionais, aquisição de itens de luxo e gastos elevados, evidenciando o proveito criminoso e o uso do dinheiro obtido à custa das vítimas da fraude.