Balneário Camboriú, conhecida como a "Dubai brasileira" por seus arranha-céus imponentes e prédios de alto padrão, enfrenta um paradoxo social: o encarecimento do mercado imobiliário impede que muitos de seus próprios trabalhadores residam na cidade. A prefeita Juliana Pavan (PSD) expressou sua insatisfação com essa realidade, que, segundo ela, afeta profissionais com rendimentos mensais que variam entre R$ 5.000 e R$ 15.000, tornando o aluguel ou a compra de um imóvel proibitivos.
Diante desse cenário, a gestão municipal atualizou o plano diretor da cidade após 19 anos. O novo instrumento urbanístico visa promover mudanças significativas, indo além da permissão de edifícios verticais. O objetivo principal é a criação de habitações sociais, permitindo que novos trabalhadores possam fixar residência em Balneário Camboriú, em vez de serem forçados a morar em municípios vizinhos como Camboriú e Itajaí, onde os custos de moradia são menores.
A estratégia para viabilizar as novas moradias envolve a colaboração com construtoras privadas. A ideia é incentivar a construção de unidades habitacionais menores e com menos luxo, especialmente em locais distantes dos empreendimentos de alto padrão. A prefeita destacou que o novo plano diretor flexibiliza a lei de uso e ocupação do solo, permitindo a construção de apartamentos com um quarto, algo que não era permitido pelo plano anterior que exigia no mínimo dois quartos. Essa mudança visa tornar os imóveis mais acessíveis, sem necessariamente baratear o metro quadrado em si.
Além das questões habitacionais, o novo plano diretor também aborda a sustentabilidade ambiental. Foram estabelecidas limitações para o crescimento vertical em áreas de conservação ambiental e de agrupamento de morros. Nessas zonas, os rooftops terão um limite de dois andares, e o uso de vidros reflexivos será proibido. A prefeita assegurou que houve um diálogo com o setor da construção civil para alinhar as diretrizes e que as empresas demonstraram receptividade às novas regras, priorizando a preservação das áreas ainda existentes.
