Os hospitais Azambuja, Dom Joaquim e Imigrantes, de Brusque, terão aumento nos repasses mensais do governo do estado por meio do Programa de Valorização dos Hospitais.

A informação e os valores, divulgados nesta reportagem em primeira mão pelo jornal O Município, constam em uma portaria publicada no fim de julho no Diário Oficial do Estado.

Os novos repasses passam a ser pagos em agosto, na parcela referente a julho, após a revisão semestral realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES).

O maior valor em termos absolutos será destinado ao Hospital Azambuja.

A unidade deixará de receber R$ 1,62 milhões por mês e passará a receber por volta de R$ 2,75 milhões, um acréscimo que supera o R$ 1,1 milhão. O reajuste representa aumento de 69%.

Segundo a portaria, o valor inclui o custeio de oito leitos de UTI pediátrica (Ped II) pelo período de 18 dias.

Entre os 45 hospitais contemplados nessa última listagem, o Hospital Azambuja receberá o segundo maior repasse do estado. Um salto significativo, visto que até junho, era o apenas o sexto no 'ranking'.

A unidade ficará à frente de hospitais como o Santo Antônio (R$ 2,22 milhões) e o Santa Isabel (R$ 2 milhões), ambos de Blumenau, e atrás apenas do Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí, que receberá mais de R$ 3,1 milhões mensais.

Na sequência aparece o Hospital Imigrantes, que passará de um repasse de R$ 1,13 milhão para R$ 1,25 milhão por mês, um aumento de R$ 120 mil, o equivalente a 10%.

Já o Hospital Dom Joaquim terá maior crescimento proporcional. O repasse mensal passará de R$ 50 mil para R$ 300 mil, um aumento de R$ 250 mil, o equivalente a 500%.

Como esperado, o valor total destinado aos hospitais também aumentou em relação ao mês anterior. Os repasses passaram de R$ 26,8 milhões, em junho, para R$ 31,5 milhões em julho, um acréscimo de mais de R$ 4,6 milhões, o equivalente a 17%.

Conforme o fluxo definido pela portaria, o recurso é transferido do Fundo Estadual de Saúde para o Fundo Municipal de Saúde de Brusque, que posteriormente faz o repasse aos hospitais Azambuja e Dom Joaquim.

Já o Hospital Imigrantes recebe os recursos diretamente do governo do Estado.

Segundo o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi Silva, o aumento dos repasses é resultado da expansão da estrutura e dos serviços prestados pelos hospitais desde a criação do Programa de Valorização dos Hospitais, no fim de 2023.

"O Hospital Azambuja reúne atualmente todas as linhas de alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo a habilitação mais recente em oncologia, assim como o Hospital Imigrantes. Já o Hospital Dom Joaquim passou da classificação de porte 1 para porte 3, mesmo sem oferecer serviços de alta complexidade", afirmou ao jornal.

Segundo o secretário, o programa deverá destinar quase R$ 800 milhões aos hospitais catarinenses em 2026, superando os cerca de R$ 670 milhões investidos no ano passado.

Ele destaca que os recursos têm incentivado hospitais filantrópicos e municipais a ampliarem leitos, especialidades e a estrutura de atendimento.

O Hospital Azambuja informou, em nota, que a instituição vem apresentando uma evolução significativa nos últimos cinco anos, principalmente com a ampliação dos serviços oferecidos pelo SUS.

Segundo a direção, o hospital incorporou novas tecnologias, adquiriu equipamentos, ampliou leitos, reforçou as equipes e expandiu a atuação em áreas de média e alta complexidade.

Entre os principais avanços estão a implantação da Hemodinâmica, a consolidação como Centro de Referência em Alta Complexidade Cardiovascular, a implantação da Unacon e a ampliação das UTIs Adulto, Neonatal e Pediátrica.

De acordo com a instituição, esse conjunto de investimentos elevou sua pontuação no Programa, garantindo o enquadramento no porte 6, o mais alto previsto pela iniciativa estadual.

A direção do Hospital Imigrantes explicou que o novo contrato firmado com a SES adequou os valores à produção efetivamente realizada pela instituição em 2025, que foi, segundo a direção, superior ao volume anteriormente pactuado.

Segundo o hospital, o aumento do repasse não representa recursos excedentes, mas uma atualização das verbas de custeio para aproximar o contrato da realidade da produção.

A direção destacou que os recursos são destinados ao custeio dos serviços e não a investimentos em estrutura ou equipamentos, que poderão ocorrer apenas com recursos próprios.

O hospital também informou que passou da classificação de porte 4 para porte 5, mudança atribuída às complexidades atualmente atendidas pela instituição.

A direção do Hospital Dom Joaquim informou que a instituição evoluiu em diversos indicadores nos últimos três anos, com aumento da taxa de ocupação, crescimento dos atendimentos ambulatoriais e ampliação da oferta de exames e outros serviços hospitalares.

Segundo o hospital, o desempenho resultou em uma pontuação maior no Programa e permitiu a mudança do porte 1 para o porte 3, considerado mais compatível com a estrutura, o volume de atendimentos e a diversidade de serviços atualmente oferecidos.

A instituição realizou mais de 150 mil atendimentos em 2025 e destacou que o crescimento da demanda também elevou os custos com profissionais, medicamentos, materiais, manutenção de equipamentos e demais despesas operacionais. Conforme a direção, os recursos anteriores já não acompanhavam essa expansão.

O hospital informou que o aumento do repasse será destinado ao custeio dos serviços já existentes, reduzindo essa defasagem financeira.

A expectativa é fortalecer a manutenção da estrutura, realizar pequenas melhorias, contratar profissionais para suprir lacunas e garantir maior segurança e continuidade aos atendimentos.

O Programa prevê revisão semestral dos repasses às unidades parceiras do SUS.

A SES reavalia a classificação de cada hospital conforme critérios como estrutura disponível e serviços prestados.

Entre os fatores considerados estão a existência de portas de urgência e emergência, leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e a quantidade de partos realizados.

Os hospitais são enquadrados em portes que variam de I a VI, com repasses mínimos de R$ 25 mil e parcelas mensais que podem superar R$ 500 mil, conforme a complexidade da unidade.

O programa tem como objetivo fortalecer a rede hospitalar catarinense por meio de investimentos em infraestrutura, tecnologia e capacitação profissional.

A iniciativa também busca ampliar o acesso da população aos serviços de saúde, melhorar a qualidade do atendimento e valorizar os profissionais que atuam nas unidades.