Um fator determinante para esse salto na produção foi a estratégia operacional da Vale, que transferiu para a unidade de Tubarão, em Vitória, parte da produção que seria processada no Oriente Médio, na unidade de Omã, que teve operações suspensas de forma temporária, motivada tanto por manutenções programadas quanto por dificuldades logísticas decorrentes dos conflitos armados na região.
Os dados são do Indicador de Atividade Econômica (IAE-Findes), elaborado pelo Observatório Findes e foram divulgados em coletiva de imprensa realizada na sede da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), em Vitória.
A indústria extrativa registrou uma alta de 35%, sustentada em grande parte pelo avanço da pelotização de minério de ferro, que cresceu 26,7%.
A Vale alcançou a marca de 5 milhões de toneladas de pelotas produzidas no Espírito Santo, um volume 35,1% superior ao registrado no primeiro trimestre de 2025.
“A Vale, além de ter tido um aumento do minério vindo de Minas Gerais para cá, teve uma parada programada por questão da guerra que fizeram com que a produção que iria para Omã fosse produzida no Estado. Isso explica um crescimento de 35% do setor extrativista”, explicou a gerente-executiva do Observatório Findes e economista-chefe da Findes, Marília Silva.
Ela destacou que o setor extrativo tem um peso muito grande dentro da indústria e dentro da economia, influenciando o crescimento industrial, o que levou ao patamar de 11,2%.
O presidente da Findes, Paulo Baraona, afirmou que os números confirmam a força da indústria capixaba e o papel estratégico do setor para o desenvolvimento do ES.
“O resultado reforça o papel da indústria como uma das principais alavancas do desenvolvimento capixaba. Quando a indústria cresce, ela movimenta toda a economia, fortalece cadeias produtivas, amplia investimentos, gera empregos e cria oportunidades para a população”, disse Baraona.
A projeção do Espírito Santo para o ano é um pouco menor que a estimativa do Brasil, calculada em 2% pelo relatório Focus.
Segundo a gerente-executiva do Observatório Findes e economista-chefe da Findes, Marília Silva, a ampliação gradativa das operações da Samarco, o crescimento da capacidade de operação da plataforma Maria Quitéria, o crescimento da produção do campo de Wahoo são alguns fatores que podem influenciar no quesito indústria extrativa.
“O mercado de trabalho, tudo indica, vai permanecer aquecido, como vem acontecendo. E a expectativa é que mesmo que no ano passado a gente tenha tido uma produção de café muito elevada, neste ano, ainda assim, haja um crescimento nessa produção de café”, disse.
Mas Marília destacou que muitos fatores podem influenciar, como fatores climáticos, a exemplo do El Niño, que podem afetar a produção de café.
Além disso, o cenário internacional tem suas imprevisibilidades. “Situações podem acontecer ou que intensifiquem questões voltadas ao preço do petróleo ou ao preço de outras commodities, somada a eventuais mudanças em políticas tarifárias, exige constante acompanhamento”, apontou a gerente-executiva do Observatório Findes.
“O modelo de atuação chinês, caracterizado pela verticalização, prevê que a instalação de uma 'fábrica mãe' atraia uma série de pequenas indústrias fornecedoras para as proximidades, em um processo de adensamento da cadeia produtiva. É similar ao que a BYD fez na Bahia e que estamos usando como exemplo”, explicou.
Segundo Baraona, para garantir que o Estado aproveite essa oportunidade, a Findes e o governo estadual, através da agência Nova ES, têm trabalhado de forma proativa para alinhar a cultura empresarial chinesa às necessidades de adaptação à legislação e à cultura brasileira.
O presidente da Findes disse que o trabalho visa integrar empresas locais como prestadoras de serviço para as grandes indústrias, abrangendo setores que vão desde alimentação e vestuário até construção e metalmecânica.
Ele comentou também sobre parceria estreita com as empresas, a exemplo da GWM, oferecendo suporte, especialmente na capacitação de mão de obra por meio do Senai.
