O Parque Urbano e Marina da Beira-Mar Norte tem potencial para tornar Florianópolis mais competitiva no circuito do turismo náutico, com a diversificação do perfil do visitante e a redução da dependência da temporada de verão. São percepções de lideranças da cidade que foram ouvidas pela coluna sobre o empreendimento de R$ 350 milhões que terá 600 vagas para embarcações. As obras começaram há um mês, depois de um longo processo para obtenção das licenças e questionamentos judiciais.

Secretário municipal de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação, Juliano Richter Pires afirma que “a experiência de cidades que investiram na revitalização de suas frentes marítimas demonstra que empreendimentos desse porte costumam ampliar significativamente a atratividade turística do destino”. De acordo com ele, “Florianópolis reúne características muito favoráveis para esse movimento, como uma baía abrigada, forte tradição náutica, localização estratégica no Sul do país e reconhecimento nacional como destino de lazer”.

Além disso, o secretário avalia que a tendência é que a marina atraia não apenas navegadores e proprietários de embarcações, com alto potencial de consumo em hoteis, restaurantes, comércio e serviços, mas também turistas interessados em gastronomia, entretenimento, eventos, esportes e experiências ligadas ao mar. “Mais do que aumentar o fluxo de visitantes, o potencial está em atrair um público que permanece mais tempo na cidade e gera maior movimentação econômica ao longo de todo o ano”, pontua.

Presidente da Acatmar (Associação Náutica Brasileira), Leandro “Mané” Ferrari também destaca a capacidade de atração de eventos, com diminuição da sazonalidade. “Uma marina desse porte cria condições para Florianópolis sediar regatas nacionais e internacionais, festivais náuticos, encontros de veleiros, feiras do setor, competições esportivas, ações de educação ambiental e eventos ligados à economia do mar. Esses eventos movimentam a cidade durante todo o ano, e fortalecem a imagem da capital como referência nacional em turismo náutico”, afirma.

O impacto, segundo ele, não se restringe às pessoas que costumamm navegar. “Pelo contrário: nas principais cidades costeiras do mundo, as marinas modernas funcionam como espaços públicos de convivência, gastronomia, lazer, cultura e contemplação, atraindo moradores e turistas independentemente de navegarem ou não”, afirma Mané Ferrari, referindo-se ao Parque Urbano.

“A experiência internacional mostra que marinas bem planejadas deixam de ser apenas locais para guardar barcos e passam a ser verdadeiros catalisadores de desenvolvimento urbano, turístico e econômico. É exatamente essa visão que defendemos: uma infraestrutura que gera empregos, atrai investimentos, amplia o turismo e conecta ainda mais a cidade com sua principal vocação, que é o mar”, reforça.

“O maior benefício do Parque Urbano e Marina Beira-Mar Norte será sentido no dia a dia de quem mora na capital, criando cerca de 140 mil metros quadrados de áreas públicas gratuitas, transformando um espaço hoje pouco aproveitado em um dos maiores espaços de uso coletivo da cidade”, complementa Juliano.

A capacidade de fomentar o turismo o ano inteiro também é lembrada por Juliano. “Diferentemente do turismo de praia, fortemente concentrado no verão, o turismo náutico possui calendário mais amplo e pode movimentar a economia também durante a baixa temporada”, acredita. Presidente do Sinduscon Grande Florianópolis, Carlos Leite destaca que a marina vai criar uma nova atividade econômica e atrair um perfil diferente de turismo. A estrutura, lembra, terá condições de receber embarcações de outras regiões e de outros países. “Quem navega precisa saber que encontrará um porto seguro, com manutenção, abastecimento e apoio. É isso que acontece nas grandes regiões náuticas do mundo. No verão europeu, por exemplo, é comum encontrar embarcações da Suécia, Noruega, Finlândia ou Inglaterra navegando até a Itália”, fala. Além disso, ele salienta que o parque urbano vai ampliar “significativamente a qualidade de vida da região”, especialmente para a população do maciço do Morro da Cruz, que “tem poucas alternativas de áreas públicas de lazer”.

LONGEVIDADE A diretora técnica do Kurotel, médica nutróloga Mariela Silveira, e o médico acupunturista Victor Hugo, participam, nesta quarta-feira (12), no HubMed do complexo Med401, em Florianópolis, de um debate sobre o impacto da espiritualidade na longevidade. Os dois são referência quando se fala em medicina do estilo de vida. A discussão ocorre em um momento em que a própria comunidade médica amplia o olhar sobre a influência de aspectos subjetivos e comportamentais na saúde. “Quando falamos em espiritualidade, não estamos nos referindo necessariamente à religião, mas a aspectos como propósito, significado de vida, conexão e bem-estar. Hoje, esses fatores já são objeto de estudos científicos e despertam o interesse da comunidade médica por sua relação com a saúde física e emocional. O objetivo é compreender como esse olhar pode contribuir para uma medicina cada vez mais integral e centrada na pessoa”, afirma Mariela.

EMERGÊNCIAS O CREA-SC realiza nesta quarta-feira (12), em Florianópolis, uma capacitação para os conselheiros do Comitê de Gestão de Crise. O treinamento prepara a equipe para prestar apoio técnico à Defesa Civil e a outros órgãos públicos em situações de desastres e eventos climáticos extremos. A programação será das 8h às 18h, na sede do conselho, no Itacorubi, com orientações sobre protocolos de atuação, integração e procedimentos técnicos em situações de emergência.

Quando mobilizado, o comitê poderá atuar em avaliações de danos, inspeções, elaboração de laudos e outros serviços técnicos necessários à tomada de decisões pelos órgãos públicos. “Em situações de desastre, é fundamental que os profissionais conheçam os protocolos e saibam seu papel. A capacitação integra a equipe e amplia nossa capacidade de resposta”, afirma o engenheiro florestal Jackson Jarzynski, coordenador do comitê. CALENDÁRIO A Câmara de Florianópolis aprovou esta semana, em primeira votação, uma alteração à Lei Orgânica que permite a realização de seis reuniões ordinárias no mês de setembro em anos eleitorais. No texto original, isso vale apenas para julho e dezembro. Nos demais, o número mínimo é de 12 sessões por mês. A segunda votação do projeto deve respeitar o intervalo de 10 dias.