Santa Catarina finalizou, no fim da tarde de domingo, 1º de março, o mais abrangente simulado de preparação para desastres já conduzido no território brasileiro. A iniciativa, coordenada pelo Governo do Estado através da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil (SPDC), registrou uma adesão recorde, com 294 municípios catarinenses participando ativamente das operações. O objetivo primordial do exercício foi testar a eficácia dos protocolos de resposta, fortalecer a prontidão das equipes de emergência e aprimorar a integração operacional entre as estruturas municipais e estaduais diante de cenários adversos.

Desde as primeiras horas da manhã do domingo, o estado operou em regime de resposta plena, com as atividades simuladas iniciando às 8h nos municípios, que registraram e encaminharam ocorrências fictícias para a estrutura estadual. Um dos pontos centrais da simulação foi o disparo de um alerta de emergência por Cell Broadcast às 9h20, que alcançou simultaneamente todos os celulares conectados às redes 4G e 5G em Santa Catarina, replicando um aviso em situação de risco iminente. Ao longo do dia, foram encenados cenários críticos baseados nos principais riscos identificados na região, como deslizamentos em áreas urbanas e rurais, inundações e enxurradas que exigiram a evacuação de comunidades. As ocorrências foram acompanhadas em tempo real, com deslocamento de equipes, acionamento das estruturas locais e a tomada de decisões estratégicas em nível estadual, incluindo o monitoramento do fechamento de comportas das barragens de contenção de cheias no Alto Vale do Itajaí.

Paralelamente às ações de campo, foram realizadas reuniões setoriais, regionais e mesorregionais com o intuito de avaliar os impactos simulados e identificar as áreas prioritárias para intervenção em um eventual cenário real. Esses encontros reuniram representantes dos Grupos de Ações Coordenadas (GRACs), a equipe técnica da SPDC e diversas instituições parceiras, como as Coordenadorias Regionais de Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros Militar, forças policiais, secretarias municipais e a Rede Estadual de Emergência de Radioamadores. O exercício também contou com a observação atenta de representantes de órgãos estaduais e federais, incluindo o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que acompanharam as ações para troca de experiências, alinhamento de procedimentos e aperfeiçoamento das estratégias de resposta a desastres.

A diversidade dos cenários testados demonstrou a complexidade e abrangência do planejamento. Municípios como Morro da Fumaça, por exemplo, incluíram protocolos de proteção para animais de estimação em situações de emergência, enquanto Planalto Alegre simulou respostas a chuvas de granizo. Barra Velha e Maravilha simularam ocorrências com produtos perigosos, envolvendo um acidente de trânsito com múltiplas vítimas e uma situação em agroindústria, respectivamente, com aplicação de protocolos de isolamento e atendimento especializado. Outras simulações envolveram a abertura e gestão de abrigos temporários para acolhimento de famílias, como em São José do Cerrito, que realizou resgates e estruturou atendimento a desabrigados. Em Tubarão, o foco foi no soterramento de uma vítima em área de difícil acesso, com operações de salvamento em altura e atuação integrada das forças de segurança e defesa civil. A avaliação geral foi positiva, com o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, Mário Hildebrandt, afirmando que o simulado cumpriu plenamente seus objetivos, validando fluxos de informação e reforçando o planejamento e preparo técnico do estado para proteger vidas.