Uma ferida na boca que não cicatriza, uma mancha persistente na língua ou uma alteração na mucosa podem parecer sinais sem importância, mas merecem atenção. Reconhecer essas mudanças e investigar possíveis lesões suspeitas são medidas fundamentais para o diagnóstico precoce do câncer bucal. O tema marcou o encerramento da VII Semana da Saúde Bucal de São José, nesta sexta-feira (23), com uma capacitação voltada aos cirurgiões-dentistas da rede municipal.
A programação foi concluída com a palestra “Lesão da Mucosa Oral e Diagnóstico Precoce do Câncer Bucal”, ministrada pela cirurgiã-dentista Mariáh Luz Lisboa, doutora em Diagnóstico Bucal pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especialista em Odontologia Hospitalar pelo Hospital Universitário da instituição.
O encontro abordou a importância de reconhecer alterações na cavidade oral, realizar uma avaliação clínica cuidadosa e encaminhar os pacientes para investigação sempre que houver suspeita. A identificação precoce é um passo importante para agilizar o diagnóstico e ampliar as possibilidades de tratamento adequado.
O câncer bucal pode atingir os lábios, a língua, as gengivas, o céu da boca e outras estruturas da cavidade oral. Em estágios iniciais, algumas lesões podem não provocar dor, o que reforça a importância de observar alterações persistentes e procurar avaliação profissional.
Para Mariáh Lisboa, o olhar atento do cirurgião-dentista durante as consultas é essencial para que alterações suspeitas não passem despercebidas e recebam a devida atenção.
“Muitas vezes, uma lesão na boca pode não causar dor e acabar sendo ignorada pelo paciente. Por isso, é fundamental que o cirurgião-dentista saiba identificar essas alterações, investigar os sinais de alerta e encaminhar os casos suspeitos para avaliação. Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores podem ser as possibilidades de um tratamento adequado”, destaca Mariáh.
A atenção aos sinais também deve fazer parte da rotina da população. Feridas que não cicatrizam, manchas brancas ou avermelhadas persistentes, áreas endurecidas, caroços e dificuldades para mastigar, engolir ou falar precisam ser avaliados por um profissional de saúde. Alterações que persistam por cerca de 15 dias, especialmente sem apresentar melhora, devem ser investigadas. A ausência de dor não significa que uma lesão seja inofensiva.
Promovida pela Secretaria Municipal de Saúde, a VII Semana da Saúde Bucal começou na terça-feira (20) e reuniu atividades de atualização técnica e científica sobre diferentes aspectos da prática odontológica. Ao longo dos quatro dias, os profissionais participaram de palestras e capacitações sobre farmacologia clínica, disfunções temporomandibulares, dor orofacial, bruxismo, protocolos de regulação, técnicas restauradoras, sedação na Atenção Básica e diagnóstico de lesões da mucosa oral.
Para a gerente de Saúde Bucal de São José, Muryel Fontoura Souto, a semana permitiu aprofundar conhecimentos que fazem diferença na rotina das equipes e na assistência prestada aos pacientes.
“Cada capacitação contribui para que nossos profissionais se sintam mais preparados diante das diferentes situações que encontram no consultório. A troca de experiências e a atualização dos conhecimentos ajudam a qualificar as decisões clínicas e a oferecer um atendimento mais atento às necessidades de cada paciente”, destaca Muryel.
A diretora de Atenção Primária, Scheila Monteiro Evaristo, ressalta que a qualificação dos profissionais fortalece o trabalho desenvolvido nas unidades de saúde e contribui para identificar necessidades de forma mais ágil.
“A Atenção Primária tem um papel fundamental porque está próxima da população e acompanha as pessoas em diferentes momentos da vida. Investir na preparação das equipes significa melhorar a capacidade de acolher, avaliar e orientar os pacientes, além de garantir que eles sejam encaminhados corretamente quando precisam de atendimento especializado.”, afirma Scheila.
A secretária municipal de Saúde, Sinara Simioni, destaca que a iniciativa integra o compromisso do município com a melhoria contínua dos serviços públicos.
“Queremos que a população encontre profissionais cada vez mais preparados para prevenir doenças, reconhecer sinais que exigem atenção e conduzir cada atendimento da melhor forma possível. A formação continuada fortalece a rede municipal e contribui para que o cuidado oferecido pelo SUS seja cada vez mais qualificado e resolutivo.”, destaca Sinara.
São José conta com atendimento odontológico nas 26 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com serviços que vão da prevenção e dos procedimentos clínicos aos encaminhamentos para especialidades. Desse total, 25 unidades já oferecem acesso avançado à Odontologia, modalidade que permite a realização de procedimentos no mesmo dia, com horário marcado, conforme a organização do serviço.
De janeiro a outubro de 2026, a Atenção Básica registrou 23.410 consultas odontológicas e 67.050 procedimentos. No mesmo período, foram realizadas mais de 214 ações de prevenção e promoção da saúde bucal nas escolas, com orientações, escovação supervisionada, aplicação de flúor e avaliações clínicas.
Quando há necessidade de atendimento especializado, o paciente é encaminhado pelo cirurgião-dentista da UBS para os Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), localizados nas Policlínicas de Barreiros e Forquilhinha. A rede oferece serviços como tratamento de canal, cirurgia bucomaxilofacial, periodontia, odontopediatria e atendimento a pessoas com necessidades especiais.
Com o encerramento da VII Semana da Saúde Bucal, São José reforça o compromisso com a atualização dos profissionais e a qualificação do atendimento oferecido à população. No caso do câncer bucal, reconhecer os primeiros sinais, investigar alterações suspeitas e encaminhar o paciente sem demora são atitudes que podem fazer diferença no diagnóstico e no tratamento.



