A prevenção à violência nas escolas ganhou destaque nacional nesta semana, com um encontro realizado em Florianópolis que reuniu especialistas brasileiros e internacionais para discutir estratégias de proteção no ambiente educacional.
Promovido pela Polícia Civil de Santa Catarina, com a ACADEPOL e com apoio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, o evento trouxe um novo olhar: mais do que reagir a ataques, o foco agora é identificar sinais de risco antes que a violência aconteça.
Um dos principais pontos debatidos foi a quebra de um mito comum: não existe um “perfil padrão” de agressor.
Especialistas ligados ao Serviço Secreto dos Estados Unidos palestraram e defenderam que a atenção deve estar nas mudanças de comportamento e não em características físicas ou diagnósticos.
A análise comportamental permite identificar trajetórias de risco com antecedência, como:
Segundo os especialistas, esses sinais costumam aparecer muito antes de qualquer ação concreta.
Outro eixo importante apresentado foi o uso da tecnologia na prevenção.
A Polícia Civil catarinense destacou a atuação do Cyberlab, que monitora ambientes digitais para identificar possíveis ameaças. A ferramenta cruza dados com análise psicológica para antecipar riscos.
A proposta é clara: agir antes que a violência aconteça, com base em inteligência e dados.
Um dos consensos do encontro é que a prevenção não depende apenas da segurança pública.
O modelo considerado mais eficaz envolve equipes multidisciplinares dentro das escolas, com participação de:
Essa integração permite identificar alunos em situação de vulnerabilidade e oferecer apoio antes que o problema evolua.
Outro ponto reforçado foi a importância da chamada “denúncia de testemunhas”.
Estudos apresentados indicam que, na maioria dos casos, pessoas próximas ao agressor percebem sinais ou recebem algum tipo de aviso prévio.
Por isso, fortalecer canais de denúncia e incentivar a população a relatar comportamentos suspeitos pode ser decisivo para evitar ataques.
Durante o encontro, o delegado-geral Marcelo Sampaio Nogueira destacou que o estado tem investido em capacitação e tecnologia para manter a atuação preventiva.
A troca de experiências com especialistas internacionais também foi apontada como fundamental para aprimorar políticas públicas.
O evento posiciona Santa Catarina como um dos centros do debate nacional sobre segurança escolar, com foco em soluções práticas e aplicáveis no dia a dia.
