Pacientes que procuraram atendimento na emergência do Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis, relatam demora no atendimento e dificuldades para realizar exames de imagem. Segundo as denúncias recebidas pelo SCC SBT, equipamentos utilizados para tomografia e ultrassonografia estariam fora de funcionamento, fazendo com que pacientes precisem ser encaminhados para outras unidades da rede pública.
A situação foi acompanhada de perto pela comunicadora do SCC SBT, Graziane Ubiali, que esteve no hospital como acompanhante de um paciente. Durante a visita, ela encontrou corredores cheios e conversou com pessoas que aguardavam atendimento.
O Hospital Governador Celso Ramos é uma unidade de referência em atendimentos de média e alta complexidade e possui emergência 24 horas, além de serviços especializados em áreas como neurologia, ortopedia e traumatologia.
A falta do tomógrafo preocupa principalmente porque o Celso Ramos é referência no atendimento de pacientes neurológicos e vítimas de traumas. Quando o equipamento está funcionando normalmente, o hospital chega a realizar mais de 60 tomografias por dia, conforme informações levantadas pela reportagem.
Com o equipamento quebrado, os exames precisam ser realizados em outras unidades da rede. Entre os hospitais que recebem pacientes estão o Hospital Florianópolis, o Hospital Universitário e o Hospital Infantil, conforme os relatos recebidos pela reportagem.
A situação ganhou ainda mais preocupação nesta quinta-feira (13), quando a reportagem recebeu a informação de que tratamentos de AVC agudo foram suspensos no hospital até que o tomógrafo volte a funcionar.
A tomografia é um exame fundamental para avaliar rapidamente pacientes com suspeita de acidente vascular cerebral (AVC), ajudando a equipe médica a identificar o tipo de alteração e definir a conduta adequada.
O hospital possui uma Unidade de AVC e mantém atendimento especializado em neurologia.
Além dos problemas relacionados aos equipamentos, o Hospital Celso Ramos passa por uma série de obras e intervenções estruturais.
Recentemente, uma nova UTI foi inaugurada, mas, segundo as informações apuradas pela reportagem, a unidade ainda não está funcionando. Segundo a direção do hospital, a nova unidade deve começar a funcionar em breve.
O hospital já passou por outras reformas nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, a Secretaria de Estado da Saúde informou a conclusão de uma reforma na emergência e a contratação de serviços de manutenção civil, elétrica e hidráulica.
O Tribunal de Contas de Santa Catarina também acompanhou as melhorias realizadas no hospital entre 2024 e 2025. Em relatório divulgado em março deste ano, o TCE/SC apontou avanços estruturais e recomendou medidas para reduzir a sobrecarga da emergência.
Outro ponto que chama atenção é a situação da ressonância magnética. A unidade possui o equipamento que atende pacientes pelo SUS na região, mas, atualmente, o aparelho também passa por manutenção. Com isso, a capacidade de diagnóstico por imagem fica ainda mais pressionada, especialmente em uma unidade que recebe pacientes de diferentes regiões do estado.
Segundo a direção do hospital, a expectativa é de que os serviços sejam normalizados até a próxima semana. Durante a nossa reportagem, fomos informados de que a peça para o reparo do equipamento foi comprada no Japão, chegou ao Brasil e deve ser instalada até sábado (15). A direção do hospital garantiu que a tomografia vai voltar a funcionar normalmente nos próximos dias.
A reportagem também questionou a Secretaria de Estado da Saúde sobre a estrutura disponível no Hospital Celso Ramos e sobre a existência de apenas um tomógrafo em uma unidade considerada referência.
Outro questionamento foi sobre a disponibilidade de equipamentos de ressonância magnética na rede pública.
O Estado, por sua vez, concentra sua atuação principalmente nos atendimentos de alta complexidade.Mesmo assim, o Governo de Santa Catarina afirma que repassa recursos aos consórcios de saúde para auxiliar os municípios na realização de exames. Desde 2023, segundo informações repassadas à reportagem, mais de R$ 140 milhões foram destinados a esse tipo de apoio.
A situação chama atenção porque o Celso Ramos ocupa uma posição estratégica na rede pública de saúde de Santa Catarina. A unidade mantém emergência 24 horas e serviços especializados, incluindo ortopedia e traumatologia, além de atendimento neurológico.
Na prática, quando um equipamento essencial deixa de funcionar, o impacto não fica restrito ao hospital. Pacientes precisam ser regulados ou encaminhados para outras unidades, aumentando a pressão sobre toda a rede.A direção do hospital informou que trabalha para normalizar os exames e que a previsão é de que a situação seja regularizada até a próxima semana.
