A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) utiliza avanços da neurociência no tratamento de pacientes com fibromialgia, condição caracterizada principalmente pela dor crônica. O atendimento é realizado pelo Serviço Especializado em Reabilitação (SER), na clínica-escola da instituição, em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, com foco na recuperação funcional e na qualidade de vida.

A abordagem considera estudos sobre a relação entre a fibromialgia e o funcionamento do sistema nervoso central. Uma pesquisa genética publicada na revista científica Nature Medicine, com dados de 2,5 milhões de pessoas, reforça a compreensão das bases biológicas da síndrome e dos mecanismos envolvidos na percepção da dor.

Segundo a professora Ana Lígia Oliveira, coordenadora da Equipe de Reabilitação Especializada (ERE) e do Serviço Especializado em Reabilitação (SER), o tratamento exige acompanhamento de diferentes áreas da saúde.

“Na fibromialgia, não há como o fisioterapeuta atuar de forma isolada. Nosso serviço conta com uma equipe multidisciplinar composta também por médicos, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, educadores físicos e fonoaudiólogos”, explica.

O atendimento segue diretrizes do Colégio Americano de Reumatologia e da Liga Europeia Contra o Reumatismo (EULAR), com prioridade para estratégias não medicamentosas, como exercícios físicos e educação sobre os mecanismos da dor.

Uma das principais estratégias utilizadas pela equipe é a exposição gradual ao exercício físico, respeitando as limitações de cada paciente.

De acordo com a professora, pessoas com fibromialgia apresentam alterações na forma como o sistema nervoso processa os sinais de dor, fenômeno associado ao conceito de dor nociplástica.

“Quem tem fibromialgia convive com uma espécie de alarme desregulado no cérebro, que amplifica as sensações de dor. A ciência já provou que a melhor forma de reativar os mecanismos naturais de controle dessa dor é o exercício físico”, afirma.

A especialista destaca que o objetivo não é alcançar alto desempenho físico, mas incentivar a regularidade dos movimentos e mudanças de hábitos que contribuam para melhorar o sono, controlar a ansiedade e lidar com a dor no dia a dia.

Além do atendimento clínico, o curso de Fisioterapia também prepara os estudantes para compreender os aspectos legais relacionados à fibromialgia.

Em Santa Catarina, a avaliação biopsicossocial é utilizada para analisar a condição dos pacientes e os impactos da doença na funcionalidade e na participação nas atividades cotidianas, especialmente nos processos relacionados ao reconhecimento de direitos da pessoa com deficiência (PcD).

Segundo Ana Lígia Oliveira, essa avaliação envolve o médico responsável pelo acompanhamento e outro profissional da saúde.

A universidade inclui o tema na formação dos estudantes por meio de estudos semanais e atividades voltadas à aplicação de evidências científicas na reabilitação.

O Serviço Especializado em Reabilitação funciona no bloco F5 da clínica-escola, no Campus Professor Edison Villela, em Itajaí. O atendimento ocorre em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS).

Para ter acesso ao serviço, o paciente deve seguir estas etapas:

O agendamento não é realizado diretamente na universidade, pois as vagas são disponibilizadas por meio da fila de espera do sistema público de saúde.